Trocar os pneus do carro pode representar uma despesa considerável e nem sempre é necessário substituir os quatro em simultâneo. Quando apenas dois chegaram ao fim da sua vida útil, surge uma dúvida muito comum entre os condutores: onde devem ficar os pneus novos?
À primeira vista, colocá-los à frente parece fazer sentido. Afinal, na maioria dos automóveis são as rodas dianteiras que direcionam o veículo e, nos carros de tração dianteira, também transmitem a força do motor à estrada.
No entanto, quando apenas dois pneus são substituídos, fabricantes e especialistas em pneus recomendam geralmente que o par com maior profundidade de piso fique no eixo traseiro.
Porque é que os pneus novos devem ficar atrás?
A explicação está sobretudo relacionada com a estabilidade do automóvel. A Euromaster, recomenda que, quando apenas dois pneus são substituídos, os novos ou os que apresentem menor desgaste sejam colocados atrás para melhorar o controlo e a segurança do veículo.
Ter maior aderência no eixo traseiro ajuda a manter o automóvel estável, sobretudo quando se circula em piso molhado ou se enfrenta uma situação inesperada.
O perigo aparece sobretudo com chuva
É precisamente quando a estrada está molhada que a diferença entre pneus novos e pneus mais gastos pode tornar-se particularmente importante.
Quanto maior for a profundidade dos sulcos, maior será, em condições comparáveis, a capacidade do pneu para escoar a água existente entre a borracha e o pavimento.
Se os pneus com menor aderência estiverem atrás, o eixo traseiro pode perder aderência antes do dianteiro.
Esta situação pode provocar sobreviragem e fazer com que a traseira do automóvel comece a deslizar, tornando mais difícil recuperar a trajetória.
Mas os pneus da frente não são mais importantes?
Esta é precisamente a razão pela qual muitos automobilistas têm tendência para colocar os pneus novos no eixo dianteiro.
As rodas dianteiras têm um papel fundamental na direção e, dependendo do automóvel, podem também estar sujeitas a maior desgaste.
Ainda assim, quando é necessário escolher entre colocar o par com melhor aderência à frente ou atrás, a recomendação geral privilegia a estabilidade do eixo traseiro.
E nos carros de tração dianteira?
A lógica mantém-se mesmo num automóvel de tração dianteira. Embora os pneus da frente possam desgastar-se mais rapidamente por acumularem funções de direção, tração e parte importante do esforço de travagem, isso não significa automaticamente que os pneus novos devam ser montados nesse eixo.
Quando apenas dois pneus são substituídos, a Michelin recomenda a sua montagem no eixo traseiro.
O objetivo não é reduzir o desgaste, mas proporcionar maior estabilidade ao automóvel.
E se o carro tiver tração traseira ou integral?
O princípio geral de colocar no eixo traseiro o par com maior profundidade de piso também é utilizado como recomendação de segurança em diferentes configurações de tração.
Contudo, nos automóveis com tração integral é particularmente importante consultar as indicações do fabricante.
Alguns sistemas de tração integral podem estabelecer limites para a diferença de desgaste, dimensão ou circunferência entre os quatro pneus. Por esse motivo, o manual do veículo deve sempre prevalecer quando existirem requisitos específicos.
O ideal continua a ser trocar os quatro
Sempre que necessário e adequado, ter quatro pneus equivalentes em estado semelhante proporciona um comportamento mais equilibrado.
No entanto, substituir os quatro pneus apenas porque dois precisam de ser trocados nem sempre é necessário.
Os restantes podem continuar a ser utilizados desde que estejam em condições de segurança, cumpram os requisitos legais e não apresentem danos, deformações ou outros sinais que justifiquem a substituição.
Atenção aos 1,6 milímetros
Em Portugal, os pneus dos automóveis ligeiros devem respeitar os requisitos legais relativos ao estado e à profundidade dos sulcos principais do piso. Para os veículos ligeiros, a profundidade mínima é de 1,6 milímetros.
Isso não significa, contudo, que seja aconselhável esperar obrigatoriamente pelo limite legal para avaliar o estado dos pneus.
Desgaste irregular, cortes, fissuras, deformações ou outros danos também justificam uma inspeção.
Afinal, pneus novos à frente ou atrás?
Quando apenas dois pneus são substituídos, a recomendação geral é simples: o par novo, ou aquele que apresenta maior profundidade de piso, deve ficar no eixo traseiro.
Pode parecer estranho para quem conduz um automóvel de tração dianteira, mas a razão está relacionada com a estabilidade.
Manter maior aderência atrás reduz a probabilidade de uma perda repentina de estabilidade do eixo traseiro, particularmente em piso molhado.
É um pequeno detalhe na próxima ida à oficina, mas pode fazer uma diferença importante quando a estrada deixa de oferecer as condições ideais.
















