Os radares de velocidade estão a desaparecer das estradas de Ontário, a província mais populosa do Canadá. A decisão foi anunciada pelo governo local e promete alterar profundamente a forma como se controla a velocidade nas vias públicas. A justificação é clara: as câmaras deixaram de servir a segurança rodoviária e tornaram-se, segundo o executivo, uma forma ultrapassada de arrecadar dinheiro.
De acordo com o Carscoops, site especializado na indústria automóvel, a nova lei foi aprovada na semana passada e determina a remoção de todos os radares de velocidade no prazo de duas semanas.
A proposta foi incluída num projeto legislativo mais amplo, destinado a reduzir a burocracia, o que acelerou o processo e eliminou a realização de audiências públicas.
Radares considerados obsoletos
Os radares de velocidade são há décadas uma ferramenta essencial de fiscalização rodoviária. Detectam veículos que excedem os limites legais e permitem que as multas sejam emitidas automaticamente. A sua presença serve, teoricamente, para dissuadir comportamentos de risco e promover uma condução mais prudente.
Apesar disso, o governo canadiano entende que o sistema perdeu eficácia. O primeiro-ministro regional, Doug Ford, descreveu as câmaras como “máquinas de fazer dinheiro” e defendeu que pouco contribuem para a redução de acidentes. Segundo Ford, os condutores acabam por receber multas muito tempo depois da infração, o que retira qualquer efeito dissuasor ao sistema.
Medidas físicas para substituir os radares
A decisão de proibir os radares surge após uma série de incidentes de vandalismo contra os equipamentos, o que reacendeu o debate sobre o seu custo e utilidade. Em resposta, o governo anunciou que vai apostar em medidas físicas de moderação de tráfego, como lombas, rotundas e sinais luminosos intermitentes.
O ministro dos Transportes, Prabmeet Sarkaria, explicou que será criado um fundo de apoio destinado a ajudar os municípios a financiar estas novas infraestruturas. No entanto, o montante e o calendário de execução ainda não foram definidos.
Críticas à rapidez da decisão
A medida não é consensual. A líder do Novo Partido Democrático, Marit Stiles, criticou a forma como a lei foi aprovada e alertou para o risco de aumento de acidentes enquanto as novas soluções não forem implementadas.
Em declarações à CBC, canal público canadiano, Stiles sublinhou que “há muitas formas de reduzir a velocidade”, mas advertiu que se um peão ou uma criança for ferida neste período de transição, “a responsabilidade será do primeiro-ministro”.
Segundo o Carscoops, o governo garante que esta decisão marca o início de uma nova fase na segurança rodoviária, com foco na prevenção e não na punição. Ainda assim, a medida continua a dividir opiniões entre quem acredita que as estradas ficarão mais seguras e quem teme que, sem radares, os excessos de velocidade voltem a aumentar.
Para quando em Portugal?
Em Portugal, nada indica que possa vir a ser seguido o mesmo caminho. O país tem vindo, aliás, a reforçar a rede de radares, através do Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO), gerido pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). O objetivo tem sido o inverso do de Ontário: aumentar a vigilância nas vias com maior sinistralidade e garantir uma fiscalização contínua.
Nos últimos anos, têm sido instalados novos dispositivos e atualizados os já existentes, acompanhados por campanhas de sensibilização que sublinham o impacto da velocidade nos acidentes rodoviários. A substituição dos radares por medidas físicas, como lombas ou rotundas, está longe de ser equacionada. Por agora, em território nacional, o controlo automatizado da velocidade continua a ser visto como uma peça essencial da segurança nas estradas.
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