A Comissão Europeia estima que uma em cada quatro mortes nas estradas da União Europeia está relacionada com o consumo de álcool. A condução sob o efeito de bebidas alcoólicas continua a ser uma das principais causas de acidentes fatais, ao lado do excesso de velocidade e da não utilização do cinto de segurança. De acordo com o site da RTP, poderiam ser poupadas cerca de 6.500 vidas por ano se todos os condutores evitassem conduzir depois de beber, já que quem desrespeita a lei arrisca multas, sanções e a suspensão da carta de condução.
A Europa continua a ser a região do mundo onde se bebe mais. O Conselho Europeu para a Segurança dos Transportes calcula que, em média, cada europeu consome 9,2 litros de álcool puro por ano.
A média, porém, esconde grandes diferenças. Países como Malta, Noruega e Suécia registam valores baixos, enquanto a Estónia, a República Checa e a Irlanda se destacam pelos consumos mais elevados.
Mesmo pouco álcool já altera a condução
Basta um copo a mais para o discernimento começar a falhar. O álcool, mesmo em pequenas quantidades, afeta o raciocínio, o tempo de reação e o controlo da direção.
O condutor pode sentir-se confiante, mas o corpo e o cérebro já não respondem com a mesma precisão. Segundo os dados referidos pela RTP, um condutor com uma taxa de alcoolemia (TAS) de 0,8 g/l tem um risco de acidente 2,7 vezes superior ao de um condutor sóbrio. Com uma TAS de 1,5 g/l, a probabilidade de ferimentos graves é 22 vezes maior e o risco de morte pode multiplicar-se até 200 vezes.
Mesmo abaixo do limite legal permitido em vários países, o álcool é suficiente para comprometer a segurança. À medida que a concentração no sangue aumenta, cresce também a probabilidade de acidente e a gravidade das consequências.
Itália abre caminho com nova lei
O primeiro país a introduzir uma lei que obriga à instalação de dispositivos de deteção de álcool, conhecidos como Alcolock, nos veículos de condutores condenados por conduzir embriagados, foi a Itália. Estes aparelhos impedem o arranque do motor se detetarem álcool na respiração do condutor.
Segundo o Comité Europeu para a Segurança dos Transportes, quem for apanhado com uma TAS superior a 0,8 g/l terá de usar o dispositivo durante dois anos depois de cumprir a pena de inibição de conduzir, que varia entre seis meses e um ano.
Para quem ultrapassar os 1,5 g/l, o período de utilização sobe para três anos, com suspensão da carta entre um e dois anos.
A instalação será feita em oficinas certificadas e os aparelhos terão de ser calibrados todos os anos. Se o condutor tentar alterar, desligar ou contornar o sistema, poderá enfrentar sanções pesadas.
Europa junta esforços para travar o álcool
Outros países estão a seguir o exemplo italiano. França, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Polónia e Lituânia já começaram a aplicar programas semelhantes. O objetivo é claro: evitar que o álcool continue a ceifar vidas nas estradas europeias.
Segundo a RTP, estas medidas integram um esforço conjunto para reforçar a segurança rodoviária em toda a União Europeia e reduzir drasticamente o número de vítimas até 2050.
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