A União Europeia está a preparar uma nova regulamentação que pode alterar profundamente o mercado de carros usados, com impacto direto nos veículos mais baratos. A proposta prevê novas exigências para a venda de automóveis em segunda mão, podendo retirar do mercado muitos modelos atualmente acessíveis.
Num momento em que os preços dos carros novos continuam elevados, o mercado de usados tem sido a principal alternativa para milhares de condutores. No entanto, as regras em estudo podem introduzir obstáculos adicionais, sobretudo para quem pretende vender veículos de menor valor.
De acordo com o Pplware, Bruxelas trabalha há cerca de três anos numa revisão das normas aplicáveis aos veículos em fim de vida útil, com entrada em vigor prevista para 2026. O objetivo passa por reforçar a economia circular e melhorar os processos de reciclagem automóvel.
Uma nova exigência para vender carros usados
Uma das principais mudanças prende-se com a obrigação de provar que um carro não está em fim de vida útil no momento da venda. Segundo a mesma fonte, esta exigência deverá aplicar-se tanto a transações dentro do país como a exportações, criando um novo filtro no mercado. Na prática, a venda de um carro usado poderá depender da apresentação de documentação específica.
Os vendedores terão de apresentar um certificado de inspeção periódica válido ou, em alternativa, um relatório pericial independente. De acordo com o site, é neste segundo cenário que surgem as maiores dificuldades, já que estas avaliações podem ter custos elevados. Para veículos de baixo valor, o custo da avaliação pode ultrapassar o próprio preço de venda.
Veículos mais baratos em risco
Este detalhe pode ter consequências diretas no segmento mais acessível do mercado. Segundo o Pplware, muitos proprietários poderão optar por não vender os seus carros, caso os custos associados se tornem desproporcionais. Sem os documentos exigidos, os veículos não poderão ser registados, re-registados ou exportados.
Com a possível saída de muitos carros do mercado, a oferta poderá diminuir. De acordo com a publicação, isso poderá levar a uma subida dos preços dos veículos usados, sobretudo nos segmentos mais baixos. Este efeito poderá dificultar o acesso a um automóvel para quem depende de soluções mais económicas.
A proposta inclui uma exceção para vendas entre particulares ou em contextos informais. No entanto, segundo a mesma fonte, ainda existem dúvidas sobre o alcance real dessa exceção. Esta incerteza mantém o setor em alerta quanto à aplicação prática das novas regras.
Uma mudança com impacto alargado
Para já, as medidas aplicam-se a veículos ligeiros até 3,5 toneladas, que representam a maior parte do mercado. Contudo, de acordo com o Pplware, existe a possibilidade de alargar estas regras a outros tipos de veículos no futuro. Isso poderá aumentar ainda mais o impacto da regulamentação.
A proposta surge no contexto da estratégia europeia para promover a sustentabilidade e reduzir o impacto ambiental. Ainda assim, segundo a mesma fonte, há o risco de veículos em condições aceitáveis serem retirados do mercado de forma prematura. Este equilíbrio entre objetivos ambientais e acessibilidade levanta preocupações.
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