Com o aumento das tecnologias aplicadas à condução, muitas aplicações de navegação deixaram de ser apenas mapas interativos e passaram a incluir funcionalidades que ajudam os condutores a evitar surpresas na estrada. Entre essas funções, há uma em particular que tem despertado o interesse de muitos automobilistas: os alertas de radares. Embora esta prática levante dúvidas, principalmente sobre a sua legalidade, a verdade é que há formas seguras e perfeitamente legais de receber esses avisos em Portugal.
A popularidade de aplicações como o Google Maps ou o Waze tem crescido precisamente por oferecerem estas funcionalidades adicionais, muitas vezes com base em dados fornecidos por outros utilizadores, refere o portal de notícias espanhol El Motor.
Neste caso, são alertas comunitários que assinalam a possível presença de radares móveis ou controlos de velocidade em determinadas zonas. Estes radares, ao contrário dos fixos, não têm localização oficial e variam de dia para dia.
A própria Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) publica a localização de muitos radares fixos, mas não disponibiliza uma base de dados oficial para os móveis. Assim, são os próprios condutores que ajudam a manter a informação atualizada, tornando estas plataformas uma ferramenta útil e colaborativa.
Legalidade em Portugal
Em Portugal, esta prática é legal, desde que respeite determinados limites. O Código da Estrada, no artigo 84.º, proíbe expressamente o uso de aparelhos capazes de detetar ou perturbar radares, como detetores de sinal ou inibidores, mas não impede a utilização de aplicações que apenas reproduzem alertas partilhados por outros utilizadores.
A diferença é essencial: os primeiros recolhem informação ativa através de ondas rádio ou laser, enquanto os segundos se limitam a apresentar dados inseridos por terceiros. O uso de dispositivos proibidos pode resultar numa coima que varia entre 500 e 2.500 euros, além da apreensão do equipamento e dos documentos do veículo.
Já as apps com avisos comunitários, como o Radarbot, Coyote ou CamSam, funcionam legalmente em Portugal e Espanha, refere a mesma fonte. Estas podem ser sincronizadas com o Google Maps ou funcionar em segundo plano enquanto se segue o percurso. Além disso, permitem configurar o tipo de aviso: radares fixos, móveis, zonas de acidente ou trânsito intenso, e alertam de forma sonora e discreta, sem interferir com a condução.
É necessário cumprir a lei
Ainda assim, é importante lembrar que, mesmo com alertas, a lei continua a exigir o cumprimento rigoroso dos limites de velocidade, refere o El Motor.
Manipular o telemóvel durante a condução também constitui uma infração, pelo que tudo deve ser preparado antes de arrancar. Usadas com bom senso e dentro da legalidade, estas ferramentas podem contribuir para uma condução mais informada e tranquila, sem comprometer a segurança rodoviária nem infringir a lei.
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