Conduzir pode ser uma experiência tranquila e até libertadora, mas nem sempre. Há momentos em que o conforto ao volante dá lugar à tensão, sobretudo quando surgem comportamentos inesperados de outros condutores. O trânsito, as pressas e a falta de civismo geram situações desconfortáveis que colocam à prova os nervos de qualquer pessoa ao volante. Uma dessas situações, infelizmente cada vez mais comum, é fácil de reconhecer e difícil de ignorar, podendo ser bastante reduzida com recurso à chamada “regra dos 4 segundos”.
Todos já sentimos a pressão de um condutor impaciente que segue a escassos metros da nossa traseira. Basta um momento de distração para tudo correr mal. Esta prática, conhecida como tailgating, é perigosa, imprevisível e está entre os principais fatores de colisões nas vias rápidas, de acordo com o Leak. A tentação natural é acelerar para fugir, mas essa não é a melhor resposta. Até porque, se seguir o carro da frente de forma igualmente apertada, acaba por aumentar o risco de um choque em cadeia.
Regra dos 4 segundos: simples e eficaz
Existe um método eficaz e fácil de aplicar para manter uma distância segura: é chamada a “regra dos 4 segundos”, de acordo com a mesma fonte. A ideia é observar um ponto fixo à frente: uma árvore, um poste ou uma ponte, e começar a contar assim que o carro da frente passar por esse ponto.
Se o seu carro alcançar o mesmo ponto antes de terminar de contar até “mil e quatro”, é porque está demasiado perto. Reduza ligeiramente a velocidade e tente novamente, recomenda a mesma fonte. É um truque básico, mas que ajuda a manter a calma e a segurança.
Estar colado é mais arriscado do que parece
Quando circula a 100 km/h, percorre cerca de 30 metros por segundo. Numa travagem de emergência, pode precisar de mais de 70 metros para parar totalmente. E mesmo que tenha bons reflexos, o tempo médio de reação é de 0,75 segundos, o que equivale a mais de 20 metros percorridos antes sequer de tocar no travão.
Isto significa que, se estiver colado ao carro da frente, pode causar um embate sem qualquer hipótese de o evitar.
O que diz a lei portuguesa
Segundo a mesma fonte, o Código da Estrada obriga a manter uma distância que permita parar sem colidir (art.º 18.º, n.º 3). Não o fazer é infração grave (art.º 145.º, n.º 1, alínea d)), punível com coima de 120 euros a 600 euros dentro das localidades, ou 60 euros a 300 euros fora delas (art.º 147.º). Quem infringe perde 2 pontos na carta e pode ver o veículo imobilizado se houver perigo imediato.
E quando é o outro condutor que vai colado a si?
A situação é mais complicada. Mesmo que esteja a respeitar as distâncias e a velocidade, quem vem atrás pode estar a colocar todos em risco. Nestes casos, o mais importante é manter a calma e agir com prudência:
- Certifique-se de que não está na via de ultrapassagem a bloquear o trânsito. Se estiver, mude para a direita quando for seguro;
- Nunca trave de forma brusca para “dar um susto”;
- Evite olhar constantemente para o retrovisor. Mantenha a atenção na estrada;
- Sinalize com antecedência se for mudar de faixa ou sair, e deixe o outro veículo passar;
- Alguns condutores optam por colar um autocolante dissuasor, como “Se lês isto, estás demasiado perto”: pode parecer simples, mas às vezes resulta.
Um hábito que pode ‘salvar’ vidas
Divulgar a regra dos 4 segundos é um pequeno gesto com grande impacto, refere ainda a Leak. Menos stress, menos acidentes e uma condução mais civilizada. Da próxima vez que sentir que está demasiado perto ou com alguém a pressionar por trás, lembre-se: “Mil e um, mil e dois, mil e três, mil e quatro.” Pode parecer pouco, mas faz toda a diferença na segurança de todos.
Leia também: Espanhola que passou férias num destino perto de Portugal alerta turistas para terem muito cuidado com esta situação
















