O Partido Socialista de Faro acusou o PSD Faro de incoerência e de aproveitamento político nas afirmações sobre a política cultural do Município, considerando que o mais recente comunicado social-democrata justifica “um esclarecimento público”.
Em comunicado, a Comissão Política da Concelhia do PS Faro sustenta que o PSD criticou o presidente da Câmara, António Pina, por alegadamente não dar continuidade a um projeto nos moldes anteriores, depois de, há poucos meses, ter questionado a continuidade de iniciativas herdadas do anterior executivo.
Para os socialistas, “o mais recente comunicado do PSD Faro não revela preocupação com a Cultura: revela sim uma oposição que assenta o seu discurso na demagogia e no mero aproveitamento político e que não consegue decidir qual é, afinal, a crítica que pretende fazer”.
PS acusa PSD de incoerência política
O PS Faro recorda que, em Assembleia Municipal, a deputada Lília Martins, da bancada do PSD, questionou António Pina sobre a continuidade de projetos anteriores, perguntando onde estava o lema “Saber Fazer” se o novo executivo se limitava a executar o que vinha de trás.
Segundo a concelhia socialista, os mesmos protagonistas exigem agora “exatamente o contrário”, ao criticarem o Município por não manter o Açoteia nos moldes em que existia.
“Isto não é oposição. É política de circunstância, é, sobretudo, uma militância da polémica”, afirma o PS Faro, defendendo que governar implica fazer escolhas, estabelecer prioridades e compreender que cada investimento condiciona outros.
O Partido Socialista declara apoiar a decisão do executivo de tornar o Açoteia num festival bienal, sustentando que essa opção “não representa qualquer desvalorização da Cultura”.
Açoteia bienal permite intervir no Museu Municipal
De acordo com o PS Faro, a decisão representa “uma opção responsável perante a realidade financeira e patrimonial do concelho”, permitindo libertar cerca de 200 mil euros para a recuperação urgente da cobertura da galeria do Museu Municipal.
A estrutura, recordam os socialistas, pertence a um edifício com mais de cinco séculos, cuja cobertura ruiu e cuja intervenção “já não podia continuar a ser adiada”.
“O Museu não é Cultura? Ou será que a Cultura só merece defesa quando cabe num cartaz, mas deixa de interessar quando é preciso preservar o património que lhe dá identidade?”, questiona o PS Faro.
No comunicado, os socialistas criticam ainda o que classificam como o “súbito entusiasmo do PSD pela gestão dos recursos públicos”, afirmando que o atual executivo encontrou “buracos” nas estradas, um “buraco de cerca de 2 milhões de euros na FAGAR” e problemas acumulados durante anos na área da Cultura.
Entre esses problemas, o PS aponta o Teatro Lethes, cuja recuperação depende da sua aquisição, num investimento estimado em cerca de quatro milhões de euros, e equipamentos municipais a necessitar de intervenção urgente.
Socialistas defendem escolhas e prioridades
O PS Faro lembra que o PSD governou o concelho durante 16 anos e acusa os social-democratas de não terem encontrado solução para o Teatro Lethes, para a sede da ARCM ou para a degradação de património que hoje exige investimentos avultados.
“Agora exige, ao fim de poucos meses, aquilo que não conseguiu concretizar ao longo de mais de uma década e meia”, afirma a concelhia socialista.
Para o PS, é legítimo fazer oposição, mas não transformar cada decisão responsável “num exercício de oportunismo político”, nem alimentar polémicas artificiais com base em desinformação e “memória curta”.
A concelhia socialista considera que o comunicado do PSD “não fala da Cultura”, mas antes de “uma estratégia de desgaste político” que procura explorar o desconhecimento dos cidadãos sobre matérias complexas de gestão pública.
O PS Faro rejeita a ideia de abandono da Cultura e garante que o executivo liderado por António Pina continuará a investir no setor, a recuperar património, a apoiar agentes culturais e a fazer escolhas responsáveis, mesmo quando essas decisões “exigem coragem política”.
“Há quem faça da Cultura um pretexto para criar polémicas. Nós preferimos fazer da Cultura uma responsabilidade”, conclui o PS Faro, acrescentando que “uns vivem da política da indignação” enquanto os socialistas apoiam “quem governa a cidade”.
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