O PSD Faro exigiu explicações ao executivo municipal pelo cancelamento da 5.ª edição do Açoteia – Faro Rooftop Festival, prevista para os primeiros dias de julho, e acusou a Câmara Municipal de Faro, liderada por António Miguel Pina, de falta de estratégia para a Cultura.
Em comunicado, a Comissão Política Concelhia social-democrata manifesta “preocupação com a orientação da política cultural do Município de Faro” e considera que, após quase nove meses de mandato, se tornou evidente “a ausência de uma visão estratégica para a Cultura”.
Para o PSD Faro, essa ausência tem sido substituída por “uma gestão avulsa” e pelo “progressivo abandono de projetos estruturantes para a afirmação cultural da cidade”.
PSD considera que o fim do Açoteia prejudica a projeção cultural de Faro
O partido aponta o cancelamento do Açoteia – Faro Rooftop Festival como o caso mais evidente desta orientação. O evento, estreado em 2019, afirmou-se, segundo os social-democratas, como “um dos projetos culturais mais inovadores do Algarve”, envolvendo associações, artistas, empresas, instituições e milhares de visitantes.
O PSD Faro recorda que o festival promovia a cidade através da valorização do património, da arquitetura e da participação da comunidade, tendo integrado a European Creative Rooftop Network (ECRN), no âmbito do programa Europa Criativa.
Na leitura dos social-democratas, “o seu fim representa, por isso, muito mais do que o cancelamento de um evento”, significando “o abandono de um projeto que deu projeção internacional à cidade”.
O partido critica ainda a forma como o cancelamento ocorreu, sustentando que, no período em que o festival deveria estar a decorrer, o Município manteve o silêncio, sem prestar explicações aos farenses, às associações, aos artistas e aos parceiros envolvidos.
Segundo o comunicado, “o executivo preferiu o silêncio ao dever de prestar contas”. O PSD Faro refere que, questionado pela vereadora Raquel Ponte em reunião do executivo municipal, António Pina reconheceu que o Município decidiu não investir cerca de 200 mil euros na realização do Açoteia.
Para a concelhia social-democrata, uma decisão desta natureza exigia uma explicação pública, que considera não ter sido dada.
Partido pede estratégia cultural e diálogo com o movimento associativo
O PSD Faro defende que o cancelamento do Açoteia não é um caso isolado, mas antes “um sintoma da ausência de uma estratégia cultural para o concelho”. O partido associa esta preocupação à incerteza em torno do futuro da antiga Fábrica da Cerveja e às inquietações manifestadas pelo movimento associativo.
Os social-democratas lembram que o modelo previsto para aquele equipamento resultou de um processo participativo integrado na candidatura Faro 2027 e no Plano Estratégico para a Cultura Faro 2030, desenvolvidos pelo anterior executivo liderado por Rogério Bacalhau.
O partido critica ainda a opção do executivo de concentrar recursos na promoção da candidatura de Faro ao concurso das “7 Maravilhas de Portugal”, sublinhando que não questiona a valorização do património nem a sua divulgação, mas sim a promoção de espaços que, em alguns casos, permanecem inacessíveis à generalidade dos cidadãos.
Como exemplo, o PSD Faro aponta o Palácio Fialho, considerando que as visitas excecionais promovidas pelo Município, limitadas a cerca de 30 participantes por sessão, “está longe de garantir um acesso efetivo ao património por parte da comunidade farense”.
Para os social-democratas, Faro precisa de mais do que campanhas promocionais e iniciativas pontuais. O partido defende uma política cultural capaz de tornar o património verdadeiramente acessível, ouvir o movimento associativo e assegurar a continuidade dos projetos que aproximam os cidadãos da cultura.
“O que hoje está em causa já não é apenas o cancelamento do Açoteia, é a ausência de uma estratégia cultural coerente para o concelho”, sustenta o PSD Faro.
Carlos de Deus Pereira, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD Faro, afirma que “’Saber Fazer’ não pode resumir-se a um lema de campanha. Exige visão, capacidade de decisão e compromisso com os projetos que valorizam Faro. Até agora, o executivo tem revelado precisamente o contrário: descontinuidade, ausência de estratégia e o abandono de iniciativas que levaram anos a construir”.
O PSD Faro considera que o Açoteia “não terminou por falta de público, de qualidade ou de participação”, mas porque “deixou de ser uma prioridade deste executivo”.
A concelhia social-democrata insta, por isso, o executivo municipal a apresentar uma estratégia clara para a Cultura, assente numa visão de longo prazo, no diálogo com o movimento associativo e na valorização dos projetos estruturantes do concelho.
Para o PSD Faro, a cidade merece “uma política cultural ambiciosa”, construída com os agentes locais, capaz de valorizar o património, apoiar os agentes culturais e dar continuidade a projetos que afirmaram Faro como referência cultural no Algarve e na Europa.
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