Durante séculos, o sal produzido no Algarve foi considerado um verdadeiro “ouro branco”, peça-chave na economia local e nas rotas comerciais mediterrânicas, e continua hoje a ser uma herança nutritiva e cultural preservada sobretudo pela produção artesanal de flor de sal nas salinas da região.
A tradição das salinas no Algarve remonta a milénios, com indícios de produção que podem ser associados aos fenícios e que se foram consolidando durante a ocupação romana. As salinas formaram uma parte essencial da economia costeira, graças às excecionais condições naturais que favorecem a evaporação da água do mar e a cristalização do sal, de acordo com o blog regional Visit Algarve.
Uma tradição milenar que permanece viva
No sotavento algarvio, particularmente nas zonas de Castro Marim, Tavira e Olhão, as salinas têm sido exploradas de forma contínua ao longo de centenas de anos.
A combinação de sol intenso, ventos suaves e amplas lagoas rasas faz destes locais, de acordo com a mesma fonte, um ambiente quase perfeito para a produção de sal marinho e de flor de sal, que hoje são reconhecidos pela sua qualidade e procura internacional.
Nas salinas, a água do mar entra em grandes tanques rasos, onde o sol e o calor promovem a evaporação gradual. À medida que a água evapora, os cristais de sal começam a formar-se, primeiro na superfície como uma camada fina chamada flor de sal e depois em maior quantidade no fundo dos talhos.
“Flor de sal”: o tesouro branco do Algarve
A flor de sal é um tipo de sal de mesa considerado premium, formado pela fina película de cristais que aparece na superfície das salinas durante condições climatéricas ideais. Estes cristais delicados são recolhidos manualmente antes de se tornarem mais densos e cair para o fundo, tornando a sua produção rara e valorizada.
Este produto, muitas vezes apelidado de “ouro branco”, é especialmente apreciado pela sua textura crocante e pelo sabor subtil, que realça pratos sem a necessidade de processamento industrial. A flor de sal algarvia é hoje usada por chefs e gastrónomos em todo o mundo como acabamento em pratos de peixe, saladas ou até sobremesas, de acordo com a mesma fonte.
Salinas como espaços de cultura e natureza
As salinas algarvias não são apenas centros de produção. Inseridas em áreas como o Parque Natural da Ria Formosa e o Sapal de Castro Marim, servem também de refúgio para aves migratórias e são parte integrante de ecossistemas únicos. Estes espaços combinam valor económico com preservação ambiental e cultural.
Na época de produção, entre junho e setembro, o “ouro branco” torna-se também um atrativo turístico. Visitantes podem observar o processo tradicional de colheita, caminhar pelos caminhos entre os talhos ou até participar em experiências guiadas nas salinas, como acontece nas Salinas do Grelha em Olhão.
Um legado que não se perde
A importância do sal no Algarve foi também reconhecida em documentos históricos. Por exemplo, após a conquista do sotavento algarvio no século XIII, D. Afonso III reservou para a Coroa Portuguesa “todas as salinas cheias e por encher” na zona de Tavira, sublinhando o valor económico que a produção de sal representava para o reino.
De acordo com o Visit Algarve, hoje em dia, a tradição salineira mantém-se viva através de produtores que preservam métodos ancestrais, mantendo um elo entre passado e presente e garantindo que o sal algarvio continue a ser um produto de excelência com impacto cultural, económico e gastronómico.
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