As filas para apanhar o barco com destino à Ilha de Cabanas, em Tavira, estão a gerar novas queixas entre quem frequenta a zona durante o verão. Uma banhista que diz visitar Cabanas há vários anos descreveu a situação como “surreal” e voltou a defender uma solução que permita chegar à praia sem depender exclusivamente da travessia fluvial.
“Nunca vi isto assim em muitos anos de Cabanas em agosto. Isto é surreal. Faz falta a ponte”, escreveu a banhista numa publicação no Facebook. A observação surge num período de elevada procura pela travessia e recupera uma discussão que se prolonga há vários anos naquela localidade do Sotavento algarvio.
Travessia continua a depender dos barcos
Atualmente, quem pretende chegar à ilha de Cabanas tem de utilizar o serviço de barco. A viagem demora poucos minutos e o bilhete custa 1,50 euros, mas durante os meses de maior procura podem formar-se filas junto ao ponto de embarque.
De acordo com a SIC Notícias, a possibilidade de criar uma alternativa pedonal é defendida há cerca de seis anos por um movimento de cidadãos entretanto transformado em associação. O grupo, denominado “Por uma Ponte Pedonal para a Ilha de Cabanas”, conta também com o apoio da Junta de Freguesia de Cabanas.
A ideia passa pela construção de uma ponte exclusivamente pedonal que permita fazer a ligação entre a povoação e a ilha. Para os seus promotores, uma estrutura deste tipo facilitaria o acesso à praia e poderia responder a parte das dificuldades sentidas pelos visitantes.
Projeto chegou a ser aprovado em Tavira
A proposta chegou a ser aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Tavira. O processo acabou, contudo, por encontrar um obstáculo relacionado com a proteção ambiental da Ria Formosa.
Em 2021, a Agência Portuguesa do Ambiente chumbou o projeto, considerando que a construção da ponte não era viável nas condições então existentes. O enquadramento ambiental da zona continua, por isso, a ser uma das principais condicionantes à concretização da ligação pedonal.
A questão não reúne, porém, uma posição única entre quem conhece a área. Enquanto alguns turistas e residentes defendem uma alternativa ao barco, existem também opiniões contrárias à construção da ponte, devido ao possível impacto sobre a paisagem, o ambiente e a identidade de Cabanas.
O que é certo é que, nos meses de verão, há sempre tendência para as filas para os barcos serem maiores do que o habitual, uma vez que há uma maior concentração de pessoas na praia. Se quiser evitar grandes aglomerados, a melhor solução poderá passar por sair da praia antes das 18 h.















