A queda de um avião ligeiro no aeródromo de Portimão, em setembro de 2025, ficou a dever-se a uma intervenção técnica inadequada realizada durante a manutenção da aeronave, afastando qualquer responsabilidade do piloto. A conclusão consta do relatório final do Gabinete de Prevenção de Investigação a Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF), agora tornado público.
O esclarecimento oficial permite reconstituir um acidente que ocorreu poucos segundos após a descolagem e que, apesar do impacto, terminou sem vítimas graves, levantando questões sobre procedimentos técnicos e fiscalização na manutenção aeronáutica.
Aeródromo com operação condicionada
De acordo com o site da Câmara Municipal de Portimão, o Aeródromo Municipal integra a Rede Secundária de Aeródromos Civis Portugueses e está preparado para operar apenas segundo as regras de voo visual.
Segundo a mesma fonte, trata-se de uma infraestrutura que funciona entre o nascer e o pôr do sol, sem voos noturnos, e que serve aviões ligeiros e helicópteros em missões de aviação privada, transporte aéreo, emergência médica e proteção civil.
O que aconteceu após a descolagem
Escreve o Correio da Manhã que, neste caso em concreto, a aeronave Piper Saratoga, de matrícula britânica, iniciou a corrida de descolagem cerca das 15 h do dia 29 de setembro de 2025, conseguindo elevar-se a pouco mais de 15 metros de altitude.
Nesse momento, ocorreu uma falha súbita de motor, descrita no relatório como resultado de “uma obstrução súbita do sistema de admissão de ar provocada pelo colapso da conduta de admissão”.
Falha técnica identificada
Segundo o relatório citado pela mesma fonte, “para o colapso do ducto contribuiu a remoção da sua estrutura metálica, alterando as características de projeto do componente para suportar as pressões negativas presentes no sistema de admissão do motor”. O documento acrescenta ainda que “a decisão de remoção do arame de aço, a execução e o respetivo processo de certificação dos trabalhos na aeronave” estiveram diretamente na origem do acidente.
O GPIAAF considera que houve uma “violação grosseira das práticas de manutenção”, classificando a intervenção como “de execução negligente pelos envolvidos”, refere o Correio da Manhã. Conforme a mesma fonte, esta avaliação técnica afasta qualquer erro de pilotagem, concluindo que o acidente não resultou de decisões tomadas durante o voo.
Apesar da falha crítica ocorrida logo após a descolagem, escreve o jornal que os dois ocupantes da aeronave, ambos proprietários do avião, sofreram apenas ferimentos ligeiros, limitados a escoriações.
O relatório agora divulgado encerra o processo de investigação e reforça a necessidade de cumprimento rigoroso das normas técnicas na manutenção aeronáutica, sobretudo em aeródromos com uso frequente para múltiplas operações civis.
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