O Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT) encontra-se atualmente sem assistentes operacionais para assegurar o trabalho nos campos experimentais e na manutenção da coleção de cerca de mil variedades fruteiras existentes no local. O alerta é feito pela associação Ecotopia Activa, que chama a atenção para o risco que esta situação representa para aquele património agrícola.
Entretanto, na sequência das preocupações manifestadas por várias entidades, a CCDR Algarve Agricultura e Pescas I.P. voltou a abrir um concurso público para dois postos de trabalho de assistentes operacionais na Divisão de Apoio à Produção, Inovação e Formação. O prazo para apresentação de candidaturas termina a 16 de março.

Segundo a Ecotopia Activa, “mais do que uma vaga de emprego, este é um compromisso com o futuro da agricultura e da sustentabilidade na região do Algarve. O Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT) é um pilar da nossa identidade regional, mas para continuar a sua missão, precisa urgentemente de novos profissionais”.
As candidaturas podem ser feitas aqui.
Concurso com critérios restritivos
Um dos requisitos definidos para o concurso determina que os candidatos tenham já vínculo à função pública e solicitem mobilidade para ocupar o lugar. De acordo com a Ecotopia Activa, este critério reduz significativamente o universo de potenciais interessados, embora a associação considere que a divulgação do concurso possa ajudar a ultrapassar essa limitação.
A associação sublinha que não é a primeira vez que concursos para estas funções ficam sem candidatos. A especificidade do trabalho, associado à gestão de uma quinta experimental com 29 hectares, aliada às regras de recrutamento da administração pública, tem dificultado o preenchimento das vagas.
Diversas organizações da sociedade civil têm procurado divulgar a oportunidade e sensibilizar potenciais candidatos para a importância do CEAT, considerado um espaço emblemático para a investigação agrária na região.
Património agrícola em risco
A Ecotopia Activa refere ainda ter recebido vários contactos de pessoas interessadas em trabalhar nos campos do CEAT, embora nenhuma delas cumpra, até ao momento, o requisito de já integrar a função pública.
Segundo a associação, a ausência de trabalhadores coloca em risco a manutenção daquele património agrícola e científico. “Apesar da missão ser difícil, contamos com a ajuda de todos para propagar esta oportunidade que é uma autêntica causa”, refere a entidade, apelando à candidatura de profissionais que possam assegurar o trabalho nos campos experimentais.

A associação considera também necessário refletir sobre os critérios de recrutamento aplicados neste tipo de concursos públicos, de forma a evitar que os procedimentos fiquem sem candidatos.
A Ecotopia Activa conclui que “a natureza não espera e este património natural e cultural do Algarve precisa urgentemente de trabalhadores”.
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