A Associação Ecotopia Activa vai apresentar, em Tavira, dois documentários dedicados à relação entre comunidade, território, alimentação e biodiversidade, no âmbito do Festival Ecológita.
As sessões decorrem na Ermida de Santana, nos dias 5 e 6 de junho, e colocam em destaque as hortas comunitárias da cidade, a Dieta Mediterrânica e o património agrícola preservado no Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT).

O primeiro documentário, “O Poder das Hortas”, será exibido no dia 5 de junho, pelas 20:00. Produzido pela Ecotopia Activa, com direção de conteúdos e produção de Ângela Rosa e realização de Henrique Mestre, o filme procura responder à pergunta sobre se as hortas são apenas espaços de cultivo ou se têm uma influência mais profunda nas comunidades.
Desde novembro de 2022, Tavira conta com duas hortas comunitárias instaladas junto ao CEAT e às Piscinas Municipais. Segundo a associação, estes espaços são palco de “partilhas, amizade e conhecimento”, onde os alimentos surgem muitas vezes como ponto de partida para relações humanas mais amplas.
Hortas como espaços de comunidade
No documentário, a antropóloga Luísa Ricardo descreve as hortas como “verdadeiros laboratórios sociais e culturais”, sublinhando que representam “a cultura enraizada, as memórias, os afetos das pessoas”.
Também Sónia Pires, vereadora da Câmara de Tavira, destaca o papel destes projetos, afirmando que “as hortas são projetos que acabam por transformar as mentalidades e fomentar esta circularidade no território”.
A sessão será seguida de uma conversa moderada por Patrícia Nogueira, do Município de Tavira, com a presença de convidados e protagonistas do projeto, entre os quais o realizador Henrique Mestre, a médica gastroenterologista Rita Ornelas, membro da Ecotopia Activa, e o historiador Marco Sousa Santos, do Município de Tavira.
No dia seguinte, 6 de junho, pelas 11:00, será estreado o documentário “Mil Variedades – A Dieta Mediterrânica Mora Aqui!”, também produzido pela Ecotopia Activa, com direção de conteúdos e produção de Ângela Rosa e realização de Henrique Mestre.
CEAT guarda património vivo da Dieta Mediterrânica
A curta documental acompanha a descoberta do CEAT por jovens da Escola Secundária Dr. Jorge Augusto Correia, num encontro entre território, memória e biodiversidade.
O antigo Posto Agrário de Tavira, que assinala 100 anos de existência, é apresentado como um dos mais relevantes espaços de preservação da Dieta Mediterrânica em Portugal, reunindo, nos seus 29 hectares, quase 1000 variedades frutíferas tradicionais do Algarve.
Segundo a Ecotopia Activa, o CEAT é “um banco vivo de biodiversidade, um laboratório de adaptação às alterações climáticas e um espaço onde ciência, agricultura, cultura e comunidade se poderiam cruzar de forma muito mais próxima e regular”.
O filme acompanha a reação dos jovens perante este património, incluindo a pergunta “Como é possível isto existir aqui tão perto e nunca termos vindo cá?”.
A sessão será seguida de uma conversa moderada por Raquel Ponte, socióloga, especialista em comunicação e membro da Ecotopia Activa, com a presença de convidados e protagonistas do projeto, incluindo a engenheira agrónoma Sandra Germano, da CCDR Algarve – Agricultura e Pescas, I.P.
A associação sublinha que a Dieta Mediterrânica “não é apenas alimentação” e que começa “na terra, nas árvores, nos sabores, nas memórias e nas pessoas”.
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