Há cidades portuguesas cuja importância ultrapassou, em determinados períodos, as fronteiras do país. A proximidade do mar, a circulação de embarcações e o contacto com diferentes povos transformaram alguns portos em pontos estratégicos para o comércio e para a expansão marítima. Um desses locais, no Algarve, teve um papel particularmente relevante durante o século XV.
Lagos ganhou importância através do Atlântico
A cidade em causa é Lagos, no Algarve. A sua localização junto ao oceano permitiu-lhe assumir um papel de destaque durante as primeiras viagens marítimas portuguesas, numa época em que os navegadores procuravam conhecer a costa africana e abrir novas rotas comerciais.
De acordo com a Câmara Municipal de Lagos, foi a partir desta cidade que o Infante D. Henrique armou várias das caravelas que alcançaram a costa de África. Lagos tornou-se, assim, um dos principais pontos de partida dos Descobrimentos Portugueses.
Por que motivo Lagos foi chamada de “centro do mundo”?
A expressão é utilizada pelo portal NCultura, segundo o qual Lagos foi o “centro do mundo” durante parte do século XV. Não se trata de uma designação histórica oficial, mas de uma forma de descrever a centralidade internacional que a cidade alcançou nesse período.
O porto recebia embarcações e mercadores provenientes de diferentes regiões, enquanto dali partiam viagens em direção ao norte de África e à costa atlântica africana. Lagos funcionava como um ponto de ligação entre a Europa, o Atlântico e os territórios que começavam a ser percorridos pelos navegadores portugueses.
Ligação ao Infante D. Henrique
O Infante D. Henrique nasceu no Porto, a 4 de março de 1394, e era filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Embora tenha ficado conhecido como “o Navegador”, não realizou pessoalmente as viagens que lhe são atribuídas, tendo desempenhado sobretudo um papel de organização, financiamento e orientação política.
A sua permanência no Algarve reforçou a importância de Lagos. Segundo o blog Turismo de Portugal, foi nesta cidade que foram armadas as caravelas que alcançaram a costa africana e foi também daqui que partiu Gil Eanes, navegador ligado à passagem do cabo Bojador.
Crescimento também teve uma vertente sombria
A atividade marítima trouxe riqueza e movimento comercial, mas esteve igualmente associada a um dos períodos mais sombrios da História portuguesa. Pessoas africanas escravizadas foram transportadas para Lagos e vendidas na cidade durante o século XV.
O espaço atualmente conhecido como Mercado de Escravos procura preservar a memória desse passado. O Museu de Lagos explica que o núcleo da Rota da Escravatura apresenta uma nova perspetiva sobre a ligação da cidade ao tráfico e à exploração de pessoas escravizadas.
O Turismo de Portugal identifica o local, situado sob as arcadas da Praça Infante D. Henrique, como aquele onde se realizou o primeiro mercado de escravos da Europa. O edifício atualmente existente é posterior, tendo sido construído em 1691 sobre um espaço anteriormente utilizado para essa finalidade.
Muralhas e igrejas recordam diferentes períodos
As muralhas, o Castelo dos Governadores e o Forte da Ponta da Bandeira conservam parte da antiga estrutura defensiva da cidade. Estas construções protegiam Lagos de ataques marítimos, incluindo os realizados por corsários e outras forças hostis.
A Igreja de Santo António é outro dos principais testemunhos históricos. Construída no início do século XVIII e reconstruída depois do terramoto de 1755, apresenta uma fachada relativamente simples, em contraste com o interior revestido por talha dourada e azulejos. Encontra-se classificada como Monumento Nacional.
Lagos foi também elevada a capital do Algarve durante o reinado de D. Sebastião, mantendo esse estatuto até ao terramoto de 1755. O próprio rei partiu daqui, em 1578, em direção à batalha de Alcácer Quibir, da qual nunca regressou.
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