As novas regras para o funcionamento de estabelecimentos noturnos e comerciais em algumas das zonas mais movimentadas de Albufeira estão a gerar preocupação entre empresários locais, que receiam consequências económicas numa altura em que a época alta turística está prestes a atingir o seu pico. A decisão da autarquia surge com o objetivo de combater os excessos associados à vida noturna, mas os comerciantes afirmam ter sido surpreendidos pela forma como as medidas foram implementadas.
De acordo com o jornal Expresso, o despacho transitório abrange áreas, como a Oura, a Avenida Sá Carneiro, a baixa e o centro histórico de Albufeira. As novas regras determinam que lojas de conveniência, minimercados e garrafeiras passem a encerrar às 23 h, enquanto os bares ficam autorizados a funcionar até às 3 h e as discotecas até às 5 h. A iniciativa resulta de uma promessa assumida durante a campanha eleitoral por Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, que defendia uma intervenção mais firme sobre os problemas associados à animação noturna.
Empresários falam em surpresa e falta de diálogo
Embora reconheçam que existiam situações problemáticas em algumas zonas da cidade, os empresários garantem que estavam disponíveis para participar na definição de soluções equilibradas. O descontentamento surge sobretudo pela ausência de consulta prévia e pela rapidez com que as novas regras entram em vigor.
Representantes do setor tinham manifestado, ainda durante o mês de maio, disponibilidade para colaborar com a autarquia na procura de respostas para os problemas identificados. No entanto, poucos dias depois foram confrontados com a publicação do despacho. Entre os empresários existe receio de que as limitações tenham impacto direto na atividade económica durante os meses de maior procura turística. Alguns responsáveis descrevem mesmo o ambiente vivido no setor como de forte apreensão perante uma alteração considerada inesperada.
Novas exigências chegam já este mês
As alterações não se limitam aos horários de funcionamento. Os estabelecimentos abrangidos pelas novas regras terão também de cumprir requisitos relacionados com o controlo do ruído, uma das questões que mais tem gerado queixas ao longo dos últimos anos.
Segundo a mesma fonte, os espaços terão de instalar limitadores e contadores de ruído ainda durante este mês. A autarquia reconhece que a adaptação poderá representar desafios para alguns operadores, mas considera que as medidas são necessárias. A decisão surge depois de, no ano passado, o município ter avançado com um código de comportamento na via pública destinado a responder aos episódios de excesso que se repetiam em determinadas zonas da cidade.
Turismo continua a crescer apesar da polémica
O debate surge numa altura particularmente sensível para o concelho, que continua a apresentar indicadores turísticos muito expressivos e que espera receber ainda mais visitantes durante este verão. Por isso, muitos empresários defendem que alterações desta dimensão deveriam ter sido preparadas com maior antecedência.
A Associação Comercial de Albufeira estima que o número de visitantes durante a época alta possa atingir os quatro milhões este ano. Conforme a mesma fonte, só no verão passado foram registadas cerca de 3,2 milhões de dormidas no concelho. Estes números ajudam a explicar a preocupação do setor, que teme que restrições introduzidas em pleno arranque da época turística possam ter reflexos na atividade económica. Já a autarquia entende que as medidas deveriam ter sido adotadas há mais tempo e considera que a sua implementação é necessária para garantir um maior equilíbrio entre a atividade turística, o funcionamento dos negócios e a qualidade de vida de residentes e visitantes.
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