A reafetação de material circulante ferroviário a ‘diesel’ para responder às necessidades da Linha do Alentejo continua condicionada pelo atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve, indicou o Governo.
O argumento consta da resposta do gabinete do ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, a uma pergunta apresentada há cerca de um mês pelo deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo, consultada hoje pela agência Lusa no ‘site’ do parlamento.
Na resposta, a tutela afirma ter conhecimento da “existência de constrangimentos na disponibilidade de material circulante ferroviário” no país, atribuindo a situação a “um prolongado período de desinvestimento na renovação da frota”.
Segundo o Governo, esse contexto leva à utilização de “material com elevada antiguidade, o qual exige níveis acrescidos de manutenção e, consequentemente, condiciona a sua disponibilidade operacional”.
Atraso na Linha do Algarve condiciona frota
No caso da Linha do Alentejo, o ministério de Pinto Luz explica que “o atraso no processo de certificação da modernização da Linha do Algarve tem vindo a impedir a reafetação de material circulante ‘diesel’ atualmente afeto àquela linha”.
“Essa circunstância limita a flexibilidade na gestão da frota e na programação das intervenções de manutenção, com impacto na oferta disponível”, salienta.
De acordo com o gabinete do ministro, a conclusão da eletrificação da Linha do Algarve está prevista para julho, o que vai permitir “uma gestão mais eficiente da frota ‘diesel’ da CP” e o reforço dos serviços ferroviários não eletrificados.
A tutela diz que há um acompanhamento do cumprimento das obrigações de serviço público, revelando estarem “em curso ações de monitorização e fiscalização, através das quais se avaliam os níveis de serviço prestado e se identificam medidas corretivas”.
Segundo o Governo, a CP “dispõe de mecanismos operacionais para mitigar situações de rutura de oferta, incluindo a reafetação de material circulante entre linhas, adaptação de horários e, sempre que possível, reforço de meios alternativos de transporte”.
Governo admite aluguer e compra de novas automotoras
O gabinete do ministro admite que o aluguer de material circulante é “uma solução que tem vindo a ser analisada no contexto da gestão global da frota, tendo em consideração as limitações técnicas, operacionais e financeiras associadas”.
Nesta resposta, a tutela destaca ainda a compra de 22 automotoras da Stadler e de 153 da Alstom para reforço e substituição gradual do material circulante existente.
“Prevê-se que as primeiras três automotoras bimodo [diesel e elétrica] da Stadler entrem ao serviço no primeiro trimestre de 2027, estando prevista a sua alocação à Linha do Alentejo”, acrescentou.
BE questionou degradação do serviço no Alentejo
Em meados de maio, o deputado Fabian Figueiredo questionou o Governo sobre o que dizia ser a “degradação do serviço ferroviário na Linha do Alentejo”, alertando para dois incidentes ocorridos no troço Beja-Casa Branca, no dia 05 daquele mês.
Um dos episódios está relacionado com uma automotora, que, devido a uma avaria, ficou parada com os passageiros no seu interior, a cerca de cinco quilómetros da estação ferroviária de Casa Branca, referia então o parlamentar.
O outro diz respeito ao transporte rodoviário substituto de uma automotora avariada, que, por causa de uma estrada cortada devido a obras, “acabou por se desviar para um caminho de terra batida”, quando seguia para Casa Branca.
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