O ciclo de arte contemporânea Reset 23/24, com curadoria da Artadentro em colaboração com o Museu Municipal de Faro, vai ser retomado com a exposição de LuÃs Palma, “Vinte e cinco palavras ou menos”, que vai ser inaugurada na próxima quinta-feira, pelas 17:30.Â
LuÃs Palma (Porto, 1960) tem a fotografia como sua principal forma de expressão artÃstica. Frequentou o curso superior de fotografia da ESAP, no Porto e a sua obra tem sido divulgada em numerosas edições monográficas e exposições em Portugal e no estrangeiro.
“Vinte e cinco palavras ou menos” explicadas por LuÃs Palma
“O tÃtulo deste projecto foi inspirado na ideia de Iggy Pop para a criação das letras dos Stooges. Ocorreu-me durante a produção de um conjunto de fotografias de grande formato, tiradas no interior de uma rulote que servia de morada a um músico. Nesse espaço exÃguo este ensaiava músicas do tempo em que tocava bateria em bandas de covers”, afirma LuÃs Palma.
“Apresentei este projecto pela primeira vez na exposição colectiva We Want Electricity, na Galeria Pedro Oliveira, em 2021. Para além dessas fotografias a cores, incluà um conjunto de imagens mais antigas a preto-e-branco e também uma pequena instalação onde, numa mesa com tampo de vidro, expus uma fotografia que tirei ao Joe Strummer nos bastidores de um concerto dos Clash, em 1981, a baqueta partida do baterista Topper Headon e uma fotografia de um soldado em Cabinda a tocar guitarra, sentado no amplificador do próprio instrumento, pousada numa das páginas do livro Nixon e Caetano: Promessas e Abandono, acompanhada, na página oposta, por duas imagens: uma do Capitão Salgueiro Maia e outra do Major Otelo Saraiva de Carvalho”, acrescenta o fotógrafo.

Na associação dessas fotografias e desses objectos “revejo o tempo em que se cruzaram as narrativas polÃticas da Revolução de Abril de 1974 e o fim da Guerra Colonial, por um lado, e, por outro, o imaginário da estrada da Beat Generation e a poética pós-punk, utopia – por não querer nem governo nem Estado – que a Liberdade tornava agora acessÃvel a uma juventude inconformada com o passado ligado a uma sociedade autoritária e ao preconceito social de que nos fala o filme Verão Escaldante”.
“Ainda longe de imaginar a relação que este projecto teria com o filme de Spike Lee, estabeleci no inÃcio da década de 1990 uma colaboração com transexuais e jovens com Sida para realizar uma série de retratos de estúdio que esta série igualmente documenta”, pode ler-se no comunicado enviado à s redações.
“O confronto entre o disco sound e o movimento punk, a transexualidade e o aparecimento do sÃndroma de Kaposi testemunha os vÃcios de uma geração posterior ao tempo em que o gesto de resistência assumia uma importância incomparável para afirmar a suspeita de existir, teimando no improviso e contornando a censura na clandestinidade”, conclui LuÃs Palma.
A exposição pode ser visitada até 15 de setembro no Museu Municipal de Faro, de terça a sexta-feira, das 10:00 às 17:30 e ao sábado e domingo das 10:30 às 16:30.
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