A Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) fez um pedido especial ao Governo através de uma carta enviada ao primeiro-ministro e aos ministros da Economia e do Turismo. A associação pede a suspensão temporária do novo sistema europeu de controlo de fronteiras (EES), temendo impactos graves no Aeroporto de Faro durante o verão de 2026.
De acordo com a agência de notícias Lusa, a maior associação hoteleira da região manifesta “profunda apreensão face à implementação do ‘Entry/Exit System’”, conhecido como EES, um mecanismo de registo biométrico destinado a passageiros oriundos de fora do espaço Schengen.
Suspensão pedida para os meses críticos
A principal reivindicação passa pela interrupção da aplicação do sistema entre 1 de junho e 30 de setembro. Segundo a mesma fonte, a AHETA considera que esse período coincide com o pico da procura turística e poderá expor o destino a constrangimentos significativos.
A associação alerta para o risco de “protestos massivos” de passageiros e operadores caso se verifiquem esperas prolongadas no Aeroporto Gago Coutinho, em Faro, escreve a agência noticiosa.
Testes já arrancaram e verão aproxima-se
O EES começou a ser testado em outubro de 2025 e tem entrada em funcionamento pleno prevista para abril deste ano. Conforme a mesma fonte, essa data coincide com o arranque da época alta no Algarve, aumentando as preocupações do setor.
O sistema resulta de um acordo entre 29 países do espaço Schengen e prevê o registo biométrico de cidadãos de países terceiros à entrada e saída das fronteiras externas, acrescenta a publicação.
Receios após reunião no aeroporto
Depois de uma reunião com a direção do Aeroporto Gago Coutinho, a AHETA admite que as perspetivas para o verão de 2026 “são assustadoras”. A expressão surge associada ao receio de congestionamentos superiores aos registados em anos anteriores, explica a mesma fonte.
A associação antecipa um cenário que poderá “superar o caos vivido em anos anteriores e causar danos irreparáveis” à reputação do Algarve enquanto destino turístico, segundo a agência portuguesa.
Reino Unido no centro das preocupações
Entre abril e outubro, o mercado britânico representa mais de 50% do tráfego no aeroporto de Faro. Por se tratar de um país fora do espaço Schengen, os passageiros provenientes do Reino Unido estarão integralmente sujeitos aos novos controlos biométricos, refere a mesma fonte.
O impacto poderá estender-se também a outros mercados de longo curso. “O esforço de diversificação de mercados, que tem permitido reforçar a captação de turistas dos Estados Unidos da América e do Canadá, poderá igualmente ser comprometido”, lê-se na nota citada pela Lusa.
Precedente em Lisboa e apelo a contingências
A AHETA recorda que o Governo suspendeu, no final de 2025 e por três meses, a aplicação do EES no Aeroporto de Lisboa. A decisão visou “evitar o colapso da operação e normalizar o fluxo de passageiros”, escreve a agência.
Com base nesse precedente, a associação insta o executivo a seguir as recomendações da Associação Britânica de Agentes de Viagens e a aplicar, “na máxima extensão”, as medidas de contingência previstas pela União Europeia, reiterando o pedido de suspensão temporária para proteger o verão turístico de 2026.
















