Depois de décadas dedicadas ao trabalho e à família, mudar de país na reforma exige muito mais do que vontade de viver perto do mar. A segurança, o acesso à saúde, o custo de vida e a proximidade dos familiares podem pesar numa decisão capaz de transformar por completo o quotidiano de um casal, como é o caso de um casal de reformados norte-americano que se mudou para o Algarve.
Foi essa combinação que levou Jack e Janis Williams a deixarem os Estados Unidos e a instalarem-se em Tavira. Segundo o testemunho publicado pela revista International Living, o casal encontrou no Algarve a tranquilidade e o modo de vida que procurava para os anos da reforma.
Da Califórnia para o Algarve
Jack e Janis passaram grande parte da vida na Califórnia antes de se reformarem numa urbanização fechada com campo de golfe, no Arizona. Apesar desse ambiente protegido, continuavam preocupados com a criminalidade e começaram a procurar outro país onde pudessem viver com maior tranquilidade.
O casal também pretendia ficar mais perto de um dos filhos. “O nosso filho Eli divide o tempo entre o trabalho e a vida em Paris e na Alemanha”, explicou Janis. “A Alemanha era demasiado fria para nós e Paris é demasiado cara.”
Tavira destacou-se entre várias cidades algarvias
Janis começou a investigar destinos mais quentes no sul da Europa. “Apesar de eu ter nascido em Washington, D.C., e a Janis ser natural de St. Louis, habituámo-nos ao clima quente da Califórnia e queríamos reformar-nos num lugar com algum calor”, contou Jack. “Para nós, o Norte e o Centro de Portugal eram demasiado frios e chuvosos, por isso apontámos para o Algarve.”
Antes da mudança, conheceram Albufeira, Vilamoura, Lagos e outras localidades da região. Acabaram por escolher Tavira devido à autenticidade que encontraram na cidade. Como Jack possui passaporte irlandês, a permanência do casal ficou facilitada.
Arrendaram durante sete meses e depois compraram, por 320 mil euros, um apartamento com três quartos, dois terraços e vistas para o mar, na zona da Pegada.
Jack escreveu canções interpretadas por John Denver
A vida de Jack também possui uma ligação inesperada à história da música norte-americana. Sentado no terraço da casa em Tavira, costuma tocar guitarra e recordar a época em que compôs temas que viriam a ser interpretados pelo cantor John Denver.
“Em 1970, um amigo meu escreveu o êxito Take Me Home, Country Roads, incluído no álbum Poems, Prayers & Promises, de John Denver, em 1971”, contou. “Nesse mesmo álbum estava Gospel Changes, uma canção que escrevi e que John Denver interpretou. Felizmente para mim, o disco vendeu milhões de cópias e continuaram a enviar-me cheques, por isso a Janis e eu pudemos viajar pelo mundo.”
Em 1976, depois do nascimento do primeiro filho, Jack escreveu Eli’s Song, posteriormente interpretada por John Denver no álbum Spirit. O casal tem ainda outro filho, residente perto de Houston, no Texas, que visita ocasionalmente os pais no Algarve, de acordo com a mesma fonte.
Segurança e simpatia dos portugueses pesaram na escolha
Questionada sobre os motivos da mudança, Janis destacou a sensação de segurança. “Aqui não existe violência com armas, algo com que sempre tive de me preocupar enquanto professora. Se formos jantar com amigos até tarde, sentimo-nos sempre seguros quando regressamos ao carro, rodeados por famílias com crianças e outros residentes idosos como nós.”
Jack também elogiou a população local. “As pessoas são muito simpáticas e pacientes, e eu preciso de muita paciência. Além disso, vim para cá porque a Janis mandou”, brincou. O reformado recordou ainda a ocasião em que um agente policial os ajudou a sair de um parque no Aeroporto de Lisboa: “Não houve buzinas nem gritos. Todos esperaram pacientemente.”
Rotina diferente da que tinham no Arizona
“O nosso quotidiano em Tavira é muito diferente daquele que tínhamos no Arizona”, explicou Janis. “Lá, tínhamos de conduzir durante 20 minutos ou mais para chegar a qualquer lado, enquanto aqui vivemos numa comunidade onde tudo está perto.”
Jack também considera mais fácil criar relações sociais. “É muito fácil fazer amigos aqui porque não passamos o tempo dentro do carro. Este lugar está cheio de residentes estrangeiros vindos de todo o mundo. Temos amigos de vários países da Europa, do Reino Unido, dos Estados Unidos, do Canadá e de outros lugares.”
O casal, citado pela mesma fonte, considera ainda que as poupanças da reforma têm maior alcance em Portugal. “Aqui tudo custa menos: eletricidade, Internet, água, alimentação, restaurantes, cuidados de saúde, seguro automóvel e seguro de saúde. O Jack também está impressionado com a velocidade da Internet, muito superior a tudo o que tivemos nos Estados Unidos”, afirmou Janis.
Os combustíveis são a principal exceção apontada pelo casal, embora o automóvel utilizado seja mais económico.
Casal elogia os cuidados de saúde em Portugal
Jack relatou também uma experiência pessoal numa farmácia. “Há alguns anos tomava um medicamento para a próstata, mas fiquei sem ele porque não voltei a contactar o médico. Fui à farmácia perguntar se conseguia comprá-lo sem receita e o farmacêutico disse que era possível. Vendeu-me uma caixa para 30 dias por cerca de três euros. Os medicamentos são muito baratos e, com receita, custam ainda menos.”
Os dois reformados já foram submetidos a cirurgias importantes num hospital privado da região. “Ficámos extremamente satisfeitos com os cuidados médicos e a maioria dos médicos e enfermeiros fala inglês fluentemente”, afirmou Janis. “Ainda assim, saber algum português ajuda, porque os auxiliares, o pessoal da limpeza e os trabalhadores da cafetaria podem não falar inglês.”
A proximidade da praia e a vida social completam a experiência do casal, de acordo com a International Living. “Adoramos viver aqui e vamos frequentemente à praia, onde podemos beber um copo de vinho num café junto ao mar, comer qualquer coisa ou observar o pôr do sol sobre o Atlântico. Temos a sorte de contar com bons amigos, uma vida saudável e horizontes bonitos”, concluiu Janis. “A vida em Portugal é boa.”
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