Presente há décadas nas casas portuguesas, este utensílio é visto como um símbolo da cozinha tradicional. Associa-se a pratos de tacho, ao sabor caseiro e às memórias de infância. Muitos ainda o consideram indispensável na preparação de receitas transmitidas de geração em geração.
De acordo com o Tribuna de Minas, apesar da carga emocional, a utilização da colher de pau tem sido alvo de alertas por parte de especialistas em segurança alimentar. A principal preocupação está nas características da madeira: por ser um material poroso e rugoso, retém facilmente resíduos alimentares e humidade, mesmo após ser lavado com água e detergente.
Com o tempo, surgem pequenas fissuras na sua superfície. Estas microfendas tornam-se locais ideais para a proliferação de microrganismos. Segundo microbiologistas, é aí que se formam biofilmes bacterianos, estruturas resistentes à limpeza comum.
Riscos aumentam com o tempo
O desgaste natural agrava a situação. A cada lavagem e utilização, a madeira perde resistência, abrindo ainda mais espaço à entrada de sujidade. Mesmo soluções desinfetantes podem não alcançar as camadas internas.
Além disso, se não for bem seca, torna-se num ambiente propício ao crescimento de fungos e bactérias. O risco é ainda maior quando em contacto com alimentos húmidos ou gordurosos.
Outras alternativas
Existem utensílios de silicone ou aço inoxidável que, segundo a fonte anteriormente mencionada, cumprem todas as normas de segurança alimentar. São lisos, não retêm resíduos e não desenvolvem fissuras com o uso. A sua limpeza é mais eficaz e simples, tanto em casa como em contexto profissional.
Embora não exista uma proibição oficial para o uso doméstico, especialistas recomendam que a madeira seja evitada sempre que possível, sobretudo em situações de maior risco de contaminação.
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Mudança consciente pode prevenir problemas
Quem prefere manter o uso deve redobrar os cuidados. Qualquer sinal de rachadura, escurecimento ou cheiro deve ser motivo para substituição imediata. A desinfeção com lixívia diluída e a secagem ao sol podem reduzir os riscos, mas não os eliminam.
Estudos realizados em vários países europeus confirmam níveis elevados de bactérias em utensílios de madeira, mesmo depois da limpeza. A presença de Salmonella ou E. coli foi detetada com alguma frequência.
O sabor muda?
Tal como referido pelo Tribuna de Minas, a ideia de que o sabor muda é apenas uma perceção sensorial. Não há provas científicas de que o tipo de utensílio altere o sabor da comida. A tradição não deve estar acima da segurança alimentar.
A escolha de um utensílio mais seguro pode parecer pequena, mas faz a diferença na prevenção de problemas de saúde. A informação continua a ser a melhor aliada de quem quer manter a tradição sem comprometer a higiene.
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