Muitos são os que têm o desejo de passar uns dias de férias numa ilha e o que é certo é que há duas bem perto de Portugal que estão ligadas por um cordão de areia e cuja existência muitos desconhecem. As duas ilhas que por estarem ligadas são uma só ficam no norte de Espanha, junto à fronteira com Portugal, no entanto, só ali pode entrar quem tiver autorização prévia, para além de que o acesso só pode ser feito de barco.
As Ilhas Cíes, localizadas à entrada da ria de Vigo, na Galiza, formam um arquipélago que integra o Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Ilhas Atlânticas desde 2002. Este parque estende-se desde a ria de Arousa até à ria de Vigo, englobando também a Ilha de Ons.
Só é possível visitar duas ilhas
O arquipélago é composto por três ilhas: Monteagudo, também conhecida como ilha Norte; O Faro, ou ilha do Médio; e San Martiño, a ilha do Sul. Enquanto as duas primeiras estão ligadas por uma praia de dunas e são acessíveis ao público, a terceira só pode ser visitada por quem tem embarcação própria. Assim sendo, se estiver a planear uma visita às Ilhas Cíes conte apenas conhecer as ilhas Monteagudo e O Faro.
Uma das principais atrações é a Praia de Rodas, que une as ilhas Monteagudo e O Faro e foi distinguida em 2007 pelo jornal britânico The Guardian como uma das praias mais bonitas do mundo. A praia forma uma lagoa de água salgada, protegida pelas dunas que a rodeiam.
Acesso exclusivo por mar
O acesso às Ilhas Cíes é exclusivamente feito por mar, com ferries a partir de Vigo, Baiona e Cangas durante a época alta. Para quem pretende chegar em barco privado irá precisar de obter uma autorização específica para navegação e ancoragem.
A visita ao arquipélago está sujeita a controlo rigoroso, com um limite diário de 1.800 visitantes e 600 lugares disponíveis para pernoita, segundo a informação disponibilizada pelo blog Vaga Mundos. Por isso, é obrigatório planear a visita com antecedência e obter a respetiva autorização junto da Xunta de Galicia.
Épocas de visitas e guias obrigatórios
Durante o período de 15 de maio a 15 de setembro, os barcos operam diariamente, enquanto fora desta época a frequência reduz-se a fins de semana e à semana da Páscoa. No inverno, a visita só é permitida se acompanhada por um guia oficial.
Para entrar nas Ilhas Cíes são necessários dois documentos essenciais: a autorização administrativa emitida pela Xunta e o bilhete de barco. Esta autorização deve ser pedida com pelo menos 30 dias de antecedência e sem ela não é possível sequer comprar o bilhete.
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Reserva antecipada requerida
Depois de obter a autorização é recomendado reservar o bilhete de barco com a maior antecedência possível, normalmente disponível entre 30 a 45 dias antes da viagem. As quotas diárias são respeitadas de forma rigorosa para preservar o ecossistema.
O embarque exige pontualidade, pelo que é obrigatório comparecer no porto pelo menos 30 minutos antes da partida para trocar a reserva pelo bilhete físico, sendo que o embarque começa 15 minutos antes da hora marcada e os barcos não aguardam os passageiros que fizeram reserva e chegam atrasados.
É possível pernoitar nas ilhas
Pernoitar nas Ilhas Cíes só é possível no parque de campismo autorizado. Os visitantes podem levar a sua própria tenda ou alugar uma no local, equipada com colchão, lençol inferior, almofada e fronha. Também é possível alugar um saco-cama, se necessário.
Durante a estadia é importante respeitar as regras de conservação impostas pelo parque. Não é permitido fazer fogo, apanhar flores, pedras ou conchas, alimentar os animais ou aceder a áreas protegidas. Atividades, como pesca ou mergulho requerem autorizações adicionais.
Atenção às gaivotas
Outro aspeto a ter em conta são as gaivotas que dominam a ilha. Estas aves são conhecidas por serem bastante ‘atrevidas’ e há relatos de que conseguem abrir fechos ou desatar nós para roubar comida, pelo que é aconselhável manter os alimentos bem guardados.
As Ilhas Cíes, outrora refúgio de piratas, tornaram-se um destino muito procurado pelos amantes de natureza, caminhadas e campismo. A ‘joia’ do arquipélago continua a ser a Praia de Rodas, mas as ilhas oferecem ainda trilhos e paisagens que podem ser a solução para quem procura novos percursos para caminhadas ou corridas.
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