Já todos vimos (ou fomos parte) daquele momento curioso em que, mal o avião aterra, ecoam palmas vindas dos passageiros. Mas afinal, o que pensam os pilotos quando ouvem este gesto tão comum? A resposta chegou pela voz do comandante Ramon Vallès, piloto da companhia aérea Iberia, numa entrevista concedida ao canal de YouTube “MAMI QUÉ DICES”, onde explicou o que realmente acontece na cabine durante a aterragem.
Palmas? Só se vierem acompanhadas de gritos
Durante o episódio, foi-lhe perguntado se os pilotos conseguem ouvir os gritos ou as palmas vindas dos passageiros, ao que respondeu com clareza: “Não, não. Todos teriam de gritar ao mesmo tempo.” Segundo Vallès, a porta da cabine é especialmente isolada, e o foco dos pilotos nesse momento é absoluto. Além disso, como salientou, usam auscultadores que lhes tapam os ouvidos.
A entrevista, conduzida no canal “MAMI QUÉ DICES”, no YouTube, revelou ainda que o comandante tem consciência do que se passa na cabine graças aos comissários de bordo, que ocasionalmente relatam o ambiente vivido entre os passageiros após a aterragem.
De resto, segundo a mesma fonte, os pilotos não ouvem praticamente nada vindo de trás, devido às “características operacionais” da cabine de voo.
A concentração é total
De acordo com o piloto, citado pela mesma fonte, o momento da aterragem é considerado uma das fases mais exigentes do voo. Os pilotos estão focados na segurança e nos procedimentos técnicos, e qualquer ruído vindo da cabine de passageiros raramente chega até eles.
Vallès sublinhou que, a menos que haja comunicação direta por intercomunicador, é praticamente impossível perceber o que se passa com os passageiros naquele instante.
Nada se ouve na cabine
Segundo o comandante, mesmo quando há manifestações sonoras, como palmas ou exclamações, as mesmas não são percecionadas dentro da cabine.
Apenas mais tarde, por via da comunicação com a restante tripulação, têm noção de que houve qualquer reação coletiva.
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Aplaudir não é só hábito na Península Ibérica
Foi também abordada uma ideia frequentemente partilhada: a de que este hábito de aplaudir após a aterragem é típico dos países da Península Ibérica.
No entanto, de acordo com a mesma fonte, Vallès foi perentório ao negar essa associação exclusiva. “Acho que é o caso de muitos americanos. Essa é a minha sensação e a minha experiência”, afirmou, acrescentando que a ansiedade provocada por voos turbulentos leva passageiros de várias nacionalidades a aplaudir assim que o avião toca na pista.
Um aplauso de alívio
Ainda segundo a mesma fonte, o gesto das palmas funciona como um alívio coletivo após momentos de tensão: mais do que uma tradição de determinada cultura. É uma forma espontânea de expressar alívio e gratidão, independentemente da origem dos passageiros.
Um testemunho direto de quem vai no cockpit
O canal “MAMI QUÉ DICES”, onde decorreu esta conversa, tem ganho popularidade por trazer convidados de diferentes áreas profissionais para partilharem curiosidades pouco conhecidas do grande público.
No caso do piloto comandante Vallès, o testemunho foi uma ‘janela’ rara para o que se passa dentro da cabine de comando, e também uma oportunidade para perceber como pequenos gestos a bordo, como o aplauso, têm significados muito diferentes consoante o lugar onde se está sentado no avião.
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