O comportamento dos cães quando os donos regressam a casa continua a ser visto por muitas pessoas como uma demonstração clara de felicidade e afeto. No entanto, especialistas em comportamento animal têm vindo a alertar para uma interpretação diferente destes sinais, sobretudo quando as reações são demasiado intensas ou difíceis de controlar.
De acordo com o jornal espanhol El Economista, veterinários e especialistas em etologia clínica defendem que os saltos constantes, os latidos excessivos ou a agitação extrema podem estar relacionados com estados de ansiedade acumulada durante o período em que o animal esteve sozinho.
Nem toda a excitação significa felicidade
Para muitos donos, a imagem do cão a correr pela casa, a ‘choramingar’ ou a saltar sobre as pessoas é entendida como uma receção positiva. Ainda assim, segundo a mesma fonte, a explicação fisiológica pode apontar para outra realidade.
Os especialistas referem que, nestes momentos, o animal apresenta frequentemente níveis elevados de cortisol, hormona associada ao stress, bem como uma ativação intensa do sistema nervoso simpático. Escreve o jornal que o regresso do dono funciona, em muitos casos, como um mecanismo de libertação da tensão acumulada ao longo do dia.
O que acontece enquanto o cão está sozinho
A reação explosiva pode surgir depois de várias horas de desconforto emocional. Conforme a mesma fonte, alguns cães não conseguem gerir adequadamente a separação e entram num estado de ansiedade crescente enquanto aguardam pelo regresso da figura de referência.
Quando o dono chega, o animal descarrega toda essa tensão através de movimentos repetitivos, corridas, saltos ou até micção involuntária motivada pela excitação. Refere a mesma fonte que este comportamento revela dificuldades de autorregulação emocional e não necessariamente um estado equilibrado de felicidade.
Ansiedade de separação está entre os problemas mais comuns
Entre os diagnósticos mais frequentes apontados pelos especialistas está a ansiedade de separação. O El Economista explica que esta condição vai além da simples saudade e pode transformar a ausência do dono numa experiência de elevado stress para o animal.
Nestes casos, o cão pode entrar em pânico quando fica sozinho ou perde contacto com a sua principal figura de apego. Acrescenta a publicação que o regresso do dono gera um sentimento de alívio extremo, comparável ao fim de uma situação traumática.
Há comportamentos que podem reforçar o problema
Os veterinários alertam também para a forma como muitos donos reagem nestes momentos. Responder à agitação com festas, abraços ou entusiasmo semelhante pode contribuir para reforçar o ciclo de ansiedade.
Ao validar emocionalmente aquele estado de excitação, o animal interpreta a tensão anterior como justificada. Isso faz com que o regresso a casa passe a ser encarado como um acontecimento emocionalmente intenso, dificultando a capacidade do cão para manter a calma.
Um cão equilibrado reage de forma diferente
Os especialistas defendem que um cão emocionalmente estável tende a receber o dono de forma tranquila e controlada. De acordo com a publicação espanhola, os sinais considerados saudáveis incluem movimentos suaves da cauda, postura relaxada e capacidade de regressar rapidamente ao estado de repouso.
Os etólogos citados pela publicação afirmam que a estabilidade emocional é um dos principais indicadores de bem-estar animal. Um cão que se aproxima calmamente, cheira a mão do dono e retoma a rotina sem excesso de excitação demonstra maior capacidade de lidar com os períodos de ausência.
Objetivo passa por reduzir a tensão
Entre as recomendações mais comuns está a necessidade de tornar as entradas e saídas de casa menos emotivas. Segundo a mesma fonte, despedidas longas ou receções demasiado efusivas podem aumentar o impacto emocional da separação.
Os especialistas aconselham ainda o recurso a estímulos cognitivos durante os períodos de ausência, como brinquedos de mastigação ou jogos de olfato. Estas estratégias ajudam o cão a ocupar a mente e reduzem a concentração exclusiva na espera pelo regresso do dono.
Leia também: Livre questiona Governo sobre mudança no centro do lince-ibérico em Silves
















