O partido Livre apresentou esta terça-feira um requerimento dirigido à ministra do Ambiente para pedir esclarecimentos sobre o afastamento da atual equipa do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, defendendo que o processo deve ser “transparente”.
A mudança de gestão do centro está prevista para o final do mês, passando a estrutura a ser diretamente gerida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Em declarações à agência Lusa, o responsável pela atual equipa do CNRLI, Rodrigo Serra, manifestou preocupação quanto ao futuro do projeto e criticou a forma como os trabalhadores estão a ser tratados após mais de uma década de dedicação.
No requerimento, o Livre questiona a ministra Maria da Graça Carvalho sobre as razões que levaram à não renovação do contrato com a atual equipa, composta por 14 profissionais, entre veterinários e técnicos, que asseguram a gestão do centro há 16 anos.
O partido considera que o processo “deve ser esclarecido e transparente, uma vez que a conservação do lince ibérico não é matéria de gerência interna do ICNF, mas sim uma política ambiental estratégica, com financiamento público europeu e responsabilidade partilhada perante a sociedade portuguesa e a comunidade internacional”.
Livre pede esclarecimentos ao Governo
Entre as questões colocadas à tutela, o Livre quer saber de que forma será garantido que a mudança não compromete o programa de reintrodução do lince-ibérico, se existe um plano de transição definido e qual será o futuro dos trabalhadores da empresa responsável pela operação do CNRLI desde 2009.
Também esta terça-feira, a equipa técnica do centro divulgou um comunicado onde manifesta “profunda preocupação” relativamente à forma e ao calendário previstos para a transição.
Os profissionais defendem a necessidade de uma transição técnica, legal e operacionalmente segura, “devidamente articulada com os parceiros ibéricos envolvidos no programa de conservação do lince-ibérico nos últimos 16 anos, com sucesso comprovado”.
A equipa alerta ainda que a mudança afeta 14 profissionais altamente especializados, incluindo veterinários, tratadores, técnicos e “especialistas que acumularam conhecimento único sobre comportamento, reprodução, maneio e recuperação da espécie”, sem que tenha sido apresentada qualquer solução para estes trabalhadores.
Responsável técnico critica ausência de plano de transição
Rodrigo Serra, coordenador do Programa Ibérico de Conservação Ex-situ para o lince-ibérico e responsável técnico pela operação do CNRLI nos últimos 16 anos, confirmou à Lusa que continua sem existir informação concreta sobre o processo.
Segundo o responsável, os trabalhadores da empresa terão sido informalmente informados de que poderiam transitar para a nova gestão através de contratos a prazo, situação que considera representar uma precarização ilegal.
Rodrigo Serra afirmou ainda que a equipa já sabia informalmente que o ICNF pretendia alterar o modelo de gestão e “internalizar o sucesso do lince-ibérico”.
Apesar disso, sublinha que o principal problema reside na inexistência de um verdadeiro processo de transição entre as equipas.
Equipa teme perda de conhecimento técnico
“Estamos disponíveis para continuar a garantir este trabalho, altamente especializado, e estaremos aqui até que o ICNF nos diga que temos de sair”, afirmou Rodrigo Serra, salientando a importância da transmissão de conhecimento.
“Não nos opomos a uma mudança de gestão, mas a ausência de uma transição segura é um risco acrescido”, acrescentou.
A pouco mais de duas semanas da data prevista para a mudança, Rodrigo Serra garante que ainda não começou qualquer processo de transição, defendendo que esse trabalho deveria prolongar-se por pelo menos um ano, tendo em conta que “o treino de uma equipa não se faz em três semanas”.
O responsável concluiu que tanto os linces como os profissionais envolvidos podem correr riscos com este processo. “Há informação que se vai perder”, lamentou, acrescentando que também as entidades espanholas ligadas ao programa “estão preocupados” com o que poderá acontecer.
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