O sono dos bebés continua a ser uma das principais preocupações nos primeiros meses de vida, sobretudo quando os despertares noturnos são frequentes e difíceis de gerir. Um novo conjunto de dados científicos sugere que a alimentação poderá ter um papel mais relevante do que o anteriormente assumido na forma como os bebés regressam ao sono depois de acordarem durante a noite.
De acordo com a revista Women’s Health, que cita um estudo publicado na revista científica Nutritional Neuroscience, a introdução de batata-doce na alimentação de bebés entre os três e os seis meses poderá estar associada a uma maior facilidade em voltar a adormecer após os despertares noturnos.
A investigação acompanhou 281 bebés ao longo de quatro meses, comparando aqueles que consumiam este alimento com outros que mantinham a alimentação habitual.
Regresso ao sono mais rápido, não menos despertares
Os resultados não mostraram diferenças significativas no número de vezes que os bebés acordavam durante a noite. No entanto, observou-se um padrão consistente entre os bebés que consumiam batata-doce: conseguiam regressar ao sono mais rapidamente após cada despertar. Segundo a mesma fonte, este comportamento poderá indicar uma maior eficiência do sono, ainda que sem impacto direto na frequência das interrupções noturnas.
A investigação baseou-se em registos fornecidos pelos cuidadores, o que pode introduzir alguma margem de subjetividade na recolha dos dados. Acresce que não foram identificadas diferenças consistentes entre as várias variedades de batata-doce analisadas, o que limita a possibilidade de generalização dos resultados.
Uma possível ligação ao sistema digestivo
Uma das hipóteses levantadas pelos investigadores passa pela relação entre o intestino e o cérebro. A batata-doce é um alimento rico em fibra e em compostos com potencial efeito prebiótico, capazes de influenciar a composição da microbiota intestinal.
Este mecanismo insere-se no chamado eixo intestino-cérebro, um campo de estudo que explora a forma como o sistema digestivo pode influenciar funções neurológicas, incluindo a regulação do sono.
Neste contexto, os dados sugerem que alterações na microbiota poderão ter um efeito indireto na forma como o organismo retoma os ciclos de sono, embora a relação causal ainda não esteja estabelecida.
Resultados ainda limitados
Apesar dos sinais observados, os investigadores sublinham que não existe evidência suficiente para considerar este alimento como uma estratégia para resolver problemas de sono infantil. Os bebés analisados eram saudáveis e não apresentavam perturbações significativas do sono, o que restringe a aplicação dos resultados a outros contextos.
As orientações alimentares nesta fase mantêm-se centradas numa introdução alimentar gradual, equilibrada e ajustada às necessidades de cada bebé. A batata-doce surge, assim, apenas como um alimento nutritivo dentro de uma dieta variada, sem indicação de efeito terapêutico direto sobre o sono.
Segundo a Women’s Health, que cita novamente a investigação publicada em Nutritional Neuroscience, são necessários mais estudos para compreender de forma mais consistente a ligação entre alimentação, microbiota intestinal e padrões de sono na primeira infância, sobretudo através de metodologias menos dependentes de registos subjetivos dos cuidadores.
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