Fazem parte da rotina de muitos portugueses e são, para muitos, a primeira resposta perante uma dor inesperada ou um mal-estar súbito. A facilidade de acesso e a confiança criada ao longo dos anos ajudam a explicar a sua presença constante no quotidiano. O tema central é simples e claro desde o início: a toma frequente e sem critério dos comprimidos, paracetamol e ibuprofeno, dois dos analgésicos mais utilizados, pode ter consequências sérias para a saúde quando deixa de ser pontual e passa a ser regular.
A perceção de segurança associada a estes medicamentos resulta, em grande medida, do facto de serem vendidos sem receita médica. No entanto, vários profissionais de saúde têm vindo a alertar para os riscos do seu uso prolongado, sobretudo quando não existe acompanhamento clínico ou quando as doses recomendadas são ultrapassadas de forma continuada. De acordo com o Notícias ao Minuto, a automedicação prolongada aumenta o risco de efeitos adversos e pode atrasar o diagnóstico correto de problemas de saúde subjacentes.
Um aviso que ganhou dimensão pública
Nas redes sociais, uma farmacêutica conhecida como Anum publicou recentemente um vídeo onde chama a atenção para a banalização do recurso a analgésicos. No conteúdo divulgado, explica que estes fármacos são eficazes e, regra geral, seguros quando usados durante curtos períodos, mas tornam-se problemáticos quando passam a ser necessários todos os dias para garantir o funcionamento normal do organismo.
A especialista sublinha que a dependência diária destes medicamentos pode esconder problemas de saúde que deveriam ser avaliados por um médico.
Paracetamol: riscos menos visíveis
O paracetamol é frequentemente encarado como a opção mais segura para o alívio da dor. Ainda assim, o seu consumo excessivo está associado a danos graves no fígado e, em alguns casos, também nos rins. Um dos principais perigos reside no facto de os sintomas de lesão hepática poderem surgir de forma tardia, quando o problema já se encontra numa fase avançada.
O respeito rigoroso pela dose máxima diária é essencial. Mesmo pequenos excessos, repetidos ao longo de vários dias, podem ter impacto significativo, sobretudo em pessoas com hábitos de consumo de álcool ou com doenças hepáticas pré-existentes.
Ibuprofeno: eficaz, mas com custos
O ibuprofeno pertence ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroides e é muitas vezes escolhido quando a dor está associada a inflamação. O uso continuado pode provocar efeitos adversos ao nível do estômago, como dores, azia ou indigestão, além de estar associado a problemas renais e a um aumento do risco cardiovascular em determinados perfis de doentes.
Outro sinal de alerta referido por profissionais de saúde é a dependência funcional, quando a pessoa sente que não consegue cumprir as tarefas do dia a dia sem recorrer ao medicamento.
Quando usar e o que ter em conta
A escolha entre um e outro depende do tipo de dor e das características clínicas de cada pessoa. Em situações de dor ligeira, o paracetamol é habitualmente recomendado como primeira opção. Quando existe inflamação associada, o ibuprofeno pode ser indicado, desde que não haja contraindicações.
Em alguns casos, ambos podem ser utilizados de forma alternada ou conjunta, sempre com respeito pelas dosagens recomendadas e após aconselhamento médico, sobretudo em grávidas ou em pessoas com problemas cardíacos, renais ou hepáticos.
Segundo o Notícias ao Minuto, nenhum medicamento deve ser encarado como inofensivo e a persistência da dor é um sinal clínico que merece avaliação médica, em vez de ser apenas silenciada com comprimidos tomados de forma contínua.
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