O Covid-19 alterou para sempre a forma como trabalhamos. O escritório deixou de ser o centro da nossa rotina e muitas pessoas passaram a gerir o trabalho a partir de casa, entre a sala de estar e a mesa de jantar. A mudança trouxe mais tempo para atividades físicas, convívio e lazer, mas também levantou questões sobre o impacto do excesso de trabalho, especialmente para quem já passou dos 40 anos.
Segundo um estudo de investigação da Universidade de Melbourne, na Austrália, citado pela revista de lifestyle, Women´s Health, trabalhar demasiadas horas pode ter efeitos negativos na função cognitiva e na saúde em geral.
Horas a mais, cérebro a menos
O estudo australiano, publicado em 2016, analisou cerca de 3 mil homens e 3.500 mulheres de meia-idade.
A investigação concluiu que aqueles que trabalhavam mais de 25 horas por semana apresentavam menor capacidade de memória e de rapidez mental do que os que se limitavam a 25 horas ou menos.
Segundo a mesma fonte, os efeitos eram mais acentuados em trabalhos considerados stressantes, evidenciando a relação direta entre excesso de trabalho e fadiga mental.
Cultura laboral e idade da reforma
A equipa de investigadores destacou ainda a influência da cultura laboral na perceção das horas ideais de trabalho. Muitos países têm aumentado a idade da reforma e prolongado o pagamento de pensões, o que se pensava que poderia manter o cérebro ativo por mais tempo.
Mas o estudo alertou para o efeito contrário: embora o trabalho possa estimular a atividade cerebral, longas horas e tarefas exigentes podem provocar stress crónico, afetando a cognição e aumentando o risco de doenças mentais.
O papel do descanso e do lazer
Os investigadores sugerem que os cuidados com a saúde mental não se esgotam na jornada laboral. Atividades físicas regulares, hobbies e tempo ao ar livre desempenham um papel essencial na preservação das capacidades cognitivas e no bem-estar global.
Segundo a mesma fonte, estas práticas ajudam a compensar o impacto negativo das horas excessivas de trabalho, mantendo a mente ativa e saudável.
Horas ideais por género
Para homens com mais de 40 anos, o estudo indica que o ideal será trabalhar entre 25 e 30 horas por semana. Para mulheres, a recomendação aponta para 22 a 27 horas.
Estes números surgem como uma orientação baseada em testes de memória e disfunção cerebral, demonstrando que menos horas podem significar mais rendimento cognitivo e menos desgaste físico.
Equilíbrio como prioridade
O debate sobre a duração da semana laboral continua, mas os dados da Universidade de Melbourne reforçam uma ideia central: não é apenas o trabalho que mantém o cérebro em forma, mas o equilíbrio entre esforço profissional, descanso e vida pessoal.
De acordo com a Women´s Health, quem passar dos 40 anos pode, assim, encontrar nas 25 horas semanais o segredo para conciliar produtividade e saúde mental.
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