Leites fermentados enriquecidos com esteróis vegetais, como o Danacol, o Ayucol ou o Cuidacol, prometem ajudar a reduzir o colesterol LDL. Disponíveis em packs de pequenas garrafas de plástico, são apresentados como uma solução rápida para quem precisa de controlar os níveis de colesterol. Mas será que cumprem o que anunciam?
Segundo uma análise conduzida por investigadores espanhóis e citada pela DECO PROTeste, a resposta é positiva. O estudo avaliou mais de 120 trabalhos científicos sobre o tema e concluiu que o consumo regular destes produtos pode de facto ajudar a reduzir o colesterol no sangue. A explicação está nos fitoesteróis, também chamados esteróis vegetais, substâncias cuja ingestão diária de 2 a 3 gramas está associada a reduções significativas.
O que são esteróis vegetais?
Os esteróis vegetais têm uma estrutura semelhante ao colesterol, competindo com este na absorção intestinal. Assim, promovem a sua eliminação em vez da sua acumulação no organismo. Não são produzidos pelo corpo humano e estão presentes de forma natural em legumes, leguminosas, frutos secos, sementes, óleos vegetais, cereais integrais e frutas.
Contudo, os alimentos comuns contêm quantidades reduzidas. Por exemplo, 30 gramas de sementes de sésamo fornecem apenas cerca de 100 miligramas de fitoesteróis. Muito abaixo da dose necessária para provocar impacto nos níveis de colesterol. É aqui que entram os leites fermentados enriquecidos pela indústria alimentar.
Quanto contém cada garrafa
Uma garrafa de 100 gramas de Danacol ou de produtos equivalentes fornece entre 1,6 e 2 gramas de fitoesteróis. Isto significa que basta uma unidade por dia para atingir a dose recomendada. Apesar de muitas vezes confundidos com iogurtes, tratam-se de leites fermentados. Para serem eficazes, devem ser consumidos diariamente e sempre em quantidades controladas.
O que diz a legislação
A Comissão Europeia, apoiada em pareceres científicos emitidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), autorizou de forma expressa duas alegações de saúde que podem constar nos rótulos destes produtos, ao abrigo do Regulamento (CE) n.º 1924/2006 relativo a alegações nutricionais e de saúde. A primeira estabelece que “os esteróis e estanóis vegetais contribuem para a manutenção de níveis normais de colesterol no sangue”, sendo obrigatório informar o consumidor de que o efeito benéfico apenas é alcançado com uma ingestão diária mínima de 0,8 gramas.
A segunda autorização vai mais longe, permitindo afirmar que doses compreendidas entre 1,5 e 3 gramas de esteróis vegetais reduzem comprovadamente o colesterol LDL, com estudos a apontar para uma descida entre 7 e 12,5% após duas a três semanas de consumo regular.
Segundo a DECO PROTeste, este enquadramento legal permite que marcas como a Danone ou os retalhistas de marca branca possam comunicar benefícios reais, mas sempre dependentes de um consumo responsável.
Nem todos devem consumir
Estes produtos não são recomendados a quem não apresenta níveis elevados de colesterol. Grávidas, lactantes e crianças até aos 5 anos devem evitá-los, a não ser mediante indicação médica. Pacientes que já tomem medicação para redução do colesterol devem também procurar aconselhamento clínico antes de os incluir na dieta, explica a DECO PROTeste.
Regras de consumo
Especialistas citados pela mesma fonte deixam ainda três recomendações para que o consumo seja seguro e eficaz. Em primeiro lugar, não ultrapassar a dose de 2 a 3 gramas diárias, ou seja, uma garrafa por dia. Em segundo, privilegiar a ingestão durante as refeições principais, altura em que competem de forma mais eficaz com o colesterol dos alimentos. Por último, manter regularidade no consumo, pois os efeitos só se tornam visíveis ao fim de duas a três semanas.
Ainda assim, importa lembrar que a ingestão prolongada de esteróis vegetais pode reduzir moderadamente os níveis de carotenoides e tocoferol, micronutrientes antioxidantes. Este efeito pode ser contrariado através de uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, frutos secos e óleos vegetais.
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