As variantes da Covid-19 continuam a surgir e a obrigar especialistas a redobrar a atenção. A mais recente, conhecida como Stratus ou XFG, já está a dominar casos em vários países e, embora partilhe sinais comuns com versões anteriores, traz consigo um sintoma menos falado que pode confundir doentes e atrasar o diagnóstico.
De acordo com o Notícias ao Minuto, o alerta foi dado pelo médico Karan Rajan, mais conhecido por Dr. Kader na rede social TikTok. O especialista explicou que muitos dos casos atuais começam com sintomas ligados aos ouvidos, nariz e garganta, como dor de garganta persistente ou voz rouca. Mas o que está a surpreender os clínicos é o aumento de manifestações gastrointestinais entre os infetados.
O novo sintoma associado à variante Stratus
Segundo o mesmo médico, várias pessoas com a variante XFG têm relatado episódios de náuseas, vómitos, refluxo e sensação de inchaço abdominal. Embora o desconforto não seja grave na maioria dos casos, trata-se de um sinal pouco habitual nas variantes mais recentes.
Escreve o Notícias ao Minuto que esta novidade reforça a necessidade de atenção aos sintomas digestivos em contexto de suspeita de Covid-19.
Apesar da diferença, Rajan sublinha que esta variante se tem revelado menos agressiva do que outras já em circulação. “É provável que tenha notado mais pessoas doentes à sua volta nos últimos dias e também registámos um aumento nos internamentos, mas a gravidade clínica tende a ser mais baixa”, explicou.
Condições que favorecem a propagação
O especialista apontou ainda razões para a disseminação mais rápida da variante. Com a chegada de temperaturas mais frias, a tendência é para que as pessoas permaneçam mais tempo em espaços fechados, o que facilita a circulação dos vírus respiratórios. “O contacto próximo multiplica a transmissão e aumenta o risco de surto”, acrescentou o clínico, citado pelo portal.
As recomendações mantêm-se: lavar as mãos com frequência, garantir boa ventilação nos espaços interiores e considerar o uso de máscara em locais muito movimentados.
Origem e características da nova variante
A variante Stratus foi detetada pela primeira vez em janeiro de 2025 e só em junho entrou na lista de “Variantes em Monitorização” da Organização Mundial da Saúde (OMS). Resulta de uma fusão de duas variantes anteriores, LF.7 e LP.8.1.2, ambas descendentes da ómicron.
Segundo o Notícias ao Minuto, a Stratus apresenta nove mutações adicionais na proteína spike quando comparada com a variante Nimbus. A OMS alertou que algumas dessas mutações podem aumentar a capacidade de evasão dos anticorpos. Em termos práticos, isso significa que as defesas adquiridas por infeção anterior ou vacinação têm eficácia reduzida contra esta versão.
O risco atual
Apesar das mutações, a OMS classifica a Stratus como de risco “baixo” para a saúde pública global. Num relatório publicado este verão, a organização esclarece que não há evidência de que esta variante provoque quadros mais graves ou um aumento da mortalidade em relação às restantes em circulação.
Ainda assim, especialistas reforçam que a atenção aos sintomas, mesmo aos menos comuns, é fundamental para evitar atrasos no diagnóstico e reduzir a propagação da doença.
















