Portugal entra num episódio de instabilidade associado à depressão Regina, com chuva em regime de aguaceiros, possibilidade de trovoada e poeiras do Saara, um cenário que pode originar “chuva de lama”, sobretudo no Centro e Sul do continente, com um novo pico mais provável na tarde de quarta-feira, 4 de março.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) enquadra Regina como uma depressão inserida numa região depressionária mais alargada centrada a sul, salientando períodos de chuva ou aguaceiros no dia 2, mais intensos e frequentes nas regiões Centro e Sul, com possibilidade de trovoada a partir da tarde.
Em paralelo, e segundo o Meteored, site especializado em meteorologia, o mesmo padrão de circulação favorece o transporte de poeiras com origem no Norte de África, com impacto no estado do céu, na qualidade do ar e no aparecimento de deposição de poeiras à superfície quando coincide precipitação.
O que é a “chuva de lama” e porque acontece agora
O fenómeno conhecido como “chuva de lama” ocorre quando a precipitação arrasta partículas de poeira em suspensão, deixando marcas visíveis em carros, ruas, janelas e superfícies exteriores, sobretudo após aguaceiros irregulares.
Nesta situação, a combinação entre instabilidade (aguaceiros e, por vezes, trovoada) e fluxo de sul/leste que transporta poeiras aumenta a probabilidade de episódios curtos, mas com deposição significativa, em especial nas regiões mais expostas ao transporte de poeiras.
A Madeira deverá sentir o impacto mais intenso do sistema, com avisos meteorológicos e agitação marítima relevantes, enquanto no continente o efeito dominante aponta para chuva irregular, trovoada localizada e poeiras em suspensão, sobretudo a sul.
As horas-chave entre 2 e 4 de março
Para hoje, segunda-feira, a janela mais ativa tende a concentrar-se entre tarde e noite, com aguaceiros mais frequentes e pontualmente fortes no Centro e Sul, e possibilidade de trovoada a partir da tarde, de acordo com o IPMA.
Na madrugada e manhã de terça-feira, 3 de março, o padrão pode manter-se com precipitação intermitente em várias zonas, ao mesmo tempo que as poeiras permanecem em suspensão, tornando o céu mais turvo e elevando o risco de deposição quando ocorrerem aguaceiros.
A tarde de quarta-feira, 4 de março, é apontada como o período mais sensível para um novo episódio de “chuva de lama” no continente, com precipitação potencialmente acompanhada de trovoada e deposição de poeiras em quatro áreas onde o risco é mais referido: Algarve, Alentejo, Beira Baixa e Beira Alta.
As quatro regiões onde a “chuva de lama” é mais provável
O Algarve e o Alentejo surgem entre as zonas com maior probabilidade de conjugar poeiras e aguaceiros, por estarem mais expostos ao transporte de partículas a partir do sul, sobretudo quando a instabilidade volta a ganhar força.
Na Beira Baixa e na Beira Alta, a previsão aponta para aguaceiros que podem reaparecer na quarta-feira à tarde, com trovoada em alguns locais, o que pode traduzir-se numa deposição mais visível de poeiras quando ocorrer precipitação.
Embora a “chuva de lama” possa surgir fora destas áreas, o sinal mais consistente para o dia 4 destaca precisamente estas quatro regiões como as mais prováveis para episódios com maior expressão.
Recomendações práticas e cuidados de saúde
De acordo com o Meteored, e além de manchar carros e superfícies, as poeiras em suspensão podem agravar desconforto respiratório, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardíacos, pelo que é aconselhável reduzir esforço físico intenso ao ar livre e privilegiar ambientes interiores quando a concentração aumenta.
Para minimizar incómodos no dia a dia, ajuda adiar lavagens de carro até passar a fase mais ativa, evitar deixar roupa a secar no exterior nas janelas-chave e, em casa, manter janelas fechadas nos momentos de maior poeira, acompanhando os avisos oficiais e atualizações meteorológicas.
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