A gripe das aves volta a gerar preocupação na Europa, num momento em que vários países reforçam medidas de prevenção para travar a propagação do vírus. A temática, que envolve riscos sanitários e impacto económico, volta agora a colocar a produção avícola sob escrutínio, incluindo em Portugal, onde o setor acompanha de perto o agravamento da situação no continente.
O Ministério da Agricultura de Espanha ordenou o confinamento imediato de todas as aves domésticas, numa medida de âmbito nacional destinada a travar a disseminação da gripe aviária. A decisão alarga restrições que antes se aplicavam apenas a zonas de risco elevado e surge numa fase de crescimento de casos em vários Estados europeus, de acordo com a agência internacional de notícias Reuters.
Este cenário leva também as autoridades portuguesas a intensificarem a vigilância junto de produtores e explorações avícolas, para evitar a possível propagação do vírus.
Desde julho, foram reportados 139 surtos de gripe das aves na Europa, 14 dos quais em território espanhol. Metade destes ocorreram em Castela e Leão, uma região que faz fronteira com Portugal e que mantém forte ligação ao setor agropecuário nacional, especialmente no que toca ao comércio de animais e produtos avícolas.
Medidas espanholas com impacto na vigilância portuguesa
O governo espanhol justificou a decisão com o “risco acrescido de entrada da doença no país” nos últimos dias. As novas regras aplicam-se agora a todas as explorações, incluindo produção biológica e pequenas quintas familiares, e visam impedir contacto entre aves domésticas e aves migratórias, consideradas o principal vetor do vírus.
Em Portugal, embora não tenha sido decretado confinamento obrigatório, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) reforçou alertas de biossegurança e recordou aos produtores a necessidade de manter aves protegidas do contacto com fauna selvagem, sobretudo nos distritos fronteiriços.
Açores e Madeira, por dependerem fortemente da autossuficiência alimentar, acompanham estas orientações com particular atenção.
Regras mais apertadas para travar riscos
Entre as medidas implementadas em Espanha está também a proibição de manter patos e gansos juntamente com outras aves de capoeira, dada a maior suscetibilidade destas espécies ao vírus, de acordo com a mesma fonte.
Feiras, concursos e exposições de aves foram igualmente suspensos por tempo indeterminado. Em Portugal, vários municípios já anunciaram que irão seguir a mesma linha caso o risco aumente.
A utilização de água não tratada, frequente em explorações agrícolas de pequena escala, tornou-se igualmente proibida em território espanhol. As autoridades portuguesas recomendam, de forma preventiva, que os criadores nacionais adotem práticas semelhantes enquanto o risco europeu se mantiver elevado.
Consequências para o setor avícola português
A gripe aviária tem provocado quebras de produção noutros pontos da Europa, levando ao abate de milhares de aves e ao encarecimento dos custos de exploração. O setor avícola português, um dos mais relevantes da agricultura nacional, com forte presença no Ribatejo, Oeste e Alentejo, teme que uma subida de casos em Espanha possa ter reflexos imediatos na cadeia de abastecimento.
O alerta europeu levou ainda a União Europeia a recomendar avaliações constantes de risco e a articular respostas coordenadas entre Estados-membros, de acordo com a Reuters.
















