O futuro do concelho de Loulé exige mais do que a gestão do presente: exige visão estratégica, ambição e capacidade de pensar o território como um todo. Quarteira, Almancil e Loulé são três cidades que, em conjunto, reúnem condições para constituir uma das grandes centralidades urbanas do Algarve.
Segundo os Censos de 2021, estas três realidades urbanas, considerando as freguesias de São Clemente e São Sebastião na cidade de Loulé, congregam cerca de 60 mil residentes. Um número expressivo, que demonstra a dimensão humana, económica e social deste eixo e justifica uma nova abordagem ao planeamento do concelho.
A proposta de construir uma área metropolitana algarvia a partir deste triângulo deve ser entendida como uma visão política e territorial para o futuro. Não se trata de apagar a identidade de cada cidade, mas de reconhecer que três cidades, três identidades e um destino comum podem representar uma força transformadora para toda a região. Loulé assume-se como centro histórico, administrativo e cultural; Quarteira afirma-se pela ligação ao mar, ao turismo e à atividade económica; Almancil ocupa uma posição estratégica na ligação a importantes polos turísticos, empresariais e residenciais. A complementaridade entre estas três cidades constitui uma vantagem competitiva que importa aproveitar através de uma estratégia conjunta.
É por isso que defendo um projeto coletivo para o concelho de Loulé, construído para durar mais do que um mandato autárquico e capaz de mobilizar diferentes sensibilidades políticas, instituições, empresas e cidadãos. A sua concretização exigirá décadas de planeamento, investimento e execução. Precisamos, por isso, de uma estratégia de desenvolvimento a médio e longo prazo, com prioridades claras, investimento programado e continuidade política. Um projeto desta dimensão não pode começar e acabar com cada ciclo eleitoral. Tem de ser um compromisso com o futuro, assente na convicção de que o desenvolvimento do concelho depende da capacidade de articular as suas três cidades numa visão territorial equilibrada e ambiciosa.
Uma das prioridades deverá ser a criação de uma nova centralidade, estrategicamente localizada e bem servida por transportes e acessibilidades, que aproxime estas três cidades através de equipamentos de escala concelhia. O ponto de partida poderá ser um centro de alto rendimento desportivo, com instalações de treino e competição, um centro de estágio com residências para atletas, serviços de medicina desportiva e espaços de recuperação física.
A este investimento poderão juntar-se equipamentos culturais, serviços públicos partilhados, espaços verdes e áreas de lazer. O objetivo é criar um polo de referência capaz de atrair eventos, gerar emprego, dinamizar a economia e proporcionar novas oportunidades aos jovens, reforçando simultaneamente a ligação entre Quarteira, Almancil e Loulé.
Esta visão deve ser acompanhada por uma política de habitação que responda às necessidades das famílias, dos jovens e dos profissionais que vivem e trabalham nestas três cidades. A criação de novos núcleos habitacionais, devidamente planeados e acompanhados por escolas, creches, comércio de proximidade e transportes públicos, permitirá responder à pressão habitacional e melhorar a qualidade de vida dos munícipes.
Em paralelo, é fundamental reforçar as ligações entre as três cidades, apostar na mobilidade sustentável e garantir que o crescimento urbano respeita o território, os recursos naturais e a identidade de cada comunidade. Uma estratégia integrada permitirá que cada cidade cresça sem ficar para trás e que o desenvolvimento seja partilhado por todo o concelho.
O concelho de Loulé tem dimensão, recursos e capacidade para pensar mais alto. Quarteira, Almancil e Loulé não são apenas três cidades próximas: são três cidades com identidade própria, massa crítica e potencial para formar um dos mais relevantes eixos urbanos do Algarve. O desafio político que temos pela frente é transformar esta realidade num projeto mobilizador, com objetivos concretos, investimento e continuidade.
Para isso, é necessário desenvolver uma nova mentalidade política, capaz de colocar este desígnio na agenda e de preparar hoje aquilo que só poderá ser concretizado plenamente pelas gerações vindouras. Mas, não podemos encarar esta visão como algo distante: é agora que temos de começar a pensar, planear e lançar os seus alicerces.
Não precisamos que estas cidades percam aquilo que as distingue; precisamos que descubram tudo aquilo que podem conquistar em conjunto. O triângulo de sucesso pode ser o motor de uma nova centralidade regional: mais competitiva, mais coesa, mais sustentável e preparada para as próximas gerações. Porque o futuro do concelho não se constrói cidade contra cidade, mas cidade com cidade.
Como escreveu Alexandre Herculano: «Uma geração não pertence unicamente a si, pertence ao pretérito cuja herdeira é, ao futuro, cuja testadora será.»
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