No sistema político democrático ninguém é mais democrata do que o outro.
É democrata todo aquele que participe e acate as decisões tomadas pelo universo de todos os participantes nesse sistema. É um sistema de governação de todos para todos. Pode é haver algum participante que defenda ideias de sistemas não democráticos, mas ainda assim atua como uma pessoa democrática porque participa e acata as decisões, eventualmente as suas ideias só serão vencedoras por métodos democráticos.
A democracia e a não-democracia são duas filosofias de vida, de ser e de estar, em sociedade, opostas entre si, ou se é uma coisa ou se é outra, a organização e o funcionamento das sociedades é completamente diferente.
Alguém só é não-democrata se participar no processo de tomada de decisões, que não aceite essas decisões e queira derrubar esse sistema por métodos ilegítimos.
No caso português, o partido Chega pode defender, e eu acredito que sim, um sistema antidemocrático, mas participa democraticamente no sistema existente contra o próprio sistema, pelo menos tal como nós o conhecemos, o qual funciona de forma pouco clara para a grande maioria da população, por processos muito duvidosos. Por isso, ilegalizar aquele partido, apesar de existir e cumprir todos os requisitos impostos pelo próprio sistema, é em si mesma uma forma pouco recomendável à luz do ideal de democracia. Eu não gostaria de viver sob a sua governação, mas defendo que deve existir, as suas ideias só serão adotadas e transformadas em Lei se a maioria dos portugueses as aprovarem em eleições livres.
Os portugueses têm um grande défice de conhecimento da política, por isso é que se ouve afirmações sem sentido, por vezes de pessoas que percebem de política, mas que por interesses pessoais deturpam tudo com argumentos que parecem corretos a quem não tem qualquer formação política. Diz-se que é um sistema democrático, mas não ensina política nas escolas, o objectivo é a ‘elite’ governar sem ser incomodada.
O partido Chega tem o hábito, mérito para uns e defeito para outros, de pôr o “dedo nas feridas” criadas ao longo do tempo, apesar de não dizer como se deve resolver esses problemas. O tempo transformará ou fará desaparecer aquele partido, tal como o PC, que quis proibir, em 1975, o filme de longa metragem de desenhos animados “O triunfo dos porcos”, filme político por excelência. ‘Defender’ a liberdade, mas com palas nos olhos.
Não precisamos de chefes, diretores e presidentes, precisamos de líderes.
A Política não é uma panaceia e não pode continuar a ser o que tem sido ao longo de dezenas de anos, meias verdades, falsidades e promessas, todas levadas pelo vento.
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