O regresso à normalidade para os milhares de portugueses que ficaram sem luz após a passagem da tempestade Kristin será um processo lento e complexo. A destruição das infraestruturas elétricas em várias regiões do país obriga a trabalhos de reparação que se prolongarão por várias semanas. A entidade responsável pela distribuição de energia já veio a público traçar um calendário provável, alertando para a necessidade de medidas excecionais dada a gravidade da situação.
A previsão oficial indica que o restabelecimento total do serviço nas zonas mais afetadas deverá ficar concluído, “com elevada probabilidade”, apenas no final do mês de fevereiro. Até lá, a estratégia passa por improvisar soluções para ligar o maior número de clientes no menor tempo possível.
A informação é avançada pelo presidente da E-redes em Leiria, citado pelo Observador. José Ferrari Careto foi claro ao assumir que a urgência do momento impede o cumprimento dos planos técnicos habituais e rigorosos de reconstrução da rede.
Soluções de recurso e fragilidade
O responsável explicou que a reposição não pode contar com a minúcia e os prazos normais de uma obra de engenharia desta dimensão. Para conseguir acelerar o processo e levar luz às populações desesperadas, o presidente admitiu perentoriamente que “vamos ter de usar alguns atalhos e isso pode levar a alguma fragilidade”.
Esta opção estratégica, embora necessária, acarreta consequências imediatas para a qualidade do serviço prestado durante a fase de recuperação. A empresa reconhece que estas ligações provisórias podem gerar instabilidade no fornecimento elétrico às habitações e empresas.
Indica a mesma fonte que é possível que ocorram novas avarias e cortes temporários mesmo em zonas onde a eletricidade já foi reposta. A comparação utilizada foi a de desviar o trânsito de uma autoestrada para uma estrada municipal, onde o fluxo é mais lento e o risco de acidentes é maior.
Danos estruturais profundos
A necessidade destes atalhos deve-se ao nível de destruição registado, especialmente no concelho de Leiria, onde subestações inteiras ficaram inoperacionais. Estes equipamentos são fundamentais para transformar a eletricidade e fazê-la chegar à rede de baixa tensão que alimenta as casas.
Explica a referida fonte que existem torres de alta tensão de grande porte tombadas no solo, cuja reabilitação é muito demorada. Para contornar este problema, as equipas técnicas estão a recorrer a métodos expeditos como estender cabos pelo chão em vez de esperar pela colocação de novos postes de betão.
A prioridade no terreno mantém-se na recuperação das linhas de média tensão para reduzir o número de 167 mil pontos de abastecimento que chegaram a estar desligados. A rede subterrânea da cidade de Leiria está a ser aproveitada ao máximo, uma vez que resistiu melhor do que as linhas aéreas.
Apoio de emergência local
Enquanto a rede não estabiliza, estão a ser implementadas soluções de mitigação para apoiar as freguesias que permanecem isoladas. A instalação de geradores visa criar pontos de apoio essenciais onde a população possa aceder a eletricidade para necessidades básicas.
O objetivo é que estes locais funcionem como centros de acolhimento para carregar telemóveis, aceder à internet ou tomar banho. O presidente da E-redes garantiu que a frota da empresa está totalmente mobilizada para responder a estas necessidades operacionais.
Explica ainda o Observador que a vulnerabilidade da rede aérea nacional será alvo de avaliação futura para evitar a repetição deste cenário. A empresa admite estudar a possibilidade de enterrar mais linhas elétricas nas zonas críticas para proteger a infraestrutura de fenómenos meteorológicos extremos.
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