Relatos de taxímetros que ficam desligados, desvios de vários quilómetros e valores cobrados acima do esperado estão a colocar alguns táxis que operam no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, sob escrutínio. Uma turista chegou mesmo a classificar a situação como uma “armadilha para turistas”, numa altura em que uma operação da PSP terminou com dezenas de infrações registadas.
O caso foi divulgado pela Euronews, canal europeu de informação internacional que acompanha notícias de vários países, incluindo Portugal. Num artigo publicado a 26 de agosto, o meio de comunicação reuniu vários testemunhos de passageiros e deu conta dos resultados de uma fiscalização realizada pela Polícia de Segurança Pública na zona de chegadas do aeroporto de Lisboa.
Turista fala numa “armadilha” à chegada a Lisboa
Entre os relatos apresentados encontra-se o de Josien Nation, criadora de conteúdos estrangeira que vive em Portugal. A Josien alertou para situações em que alguns passageiros poderão acabar por pagar mais do que seria expectável porque o taxímetro não é colocado em funcionamento.
Segundo explica, uma das situações pode acontecer quando o passageiro combina antecipadamente um preço com o motorista e o percurso é realizado sem recurso ao taxímetro. Noutros casos, não existe sequer um valor acordado inicialmente e, com o equipamento desligado, o preço acaba por ser apresentado apenas no final da viagem. Foi neste contexto que descreveu a situação como uma “armadilha para turistas”.
A mesma fonte cita ainda o testemunho de um utilizador que afirma fazer há mais de dez anos o percurso entre o aeroporto e o Largo do Rato, normalmente por cerca de 11 euros. Segundo o relato, em duas viagens recentes terá sido confrontado com desvios desnecessários e alegados taxímetros apresentados através de um telemóvel, acabando por lhe serem pedidos valores de 19 ou 21 euros, ou mesmo superiores, com pagamento em dinheiro.
PSP fiscalizou cerca de uma centena de táxis
Os relatos ganharam maior destaque depois de a PSP realizar uma operação de fiscalização na zona das chegadas do Aeroporto Humberto Delgado. De acordo com o Comando Metropolitano de Lisboa, foram controlados cerca de 100 táxis e registadas 67 infrações relacionadas com a atividade.
Do total, 32 infrações estavam relacionadas com o “posicionamento indevido do taxímetro”. Foram ainda detetadas oito situações relacionadas com a ausência de Certificado de Motorista de Táxi, seis por falta de documentos obrigatórios e outras seis devido a extintores fora de validade.
A fiscalização encontrou igualmente três casos de veículos sem inspeção válida e três relacionados com a falta da certificação de Grupo 2 exigida aos motoristas de táxi.
A PSP registou ainda duas infrações relativas à verificação do taxímetro fora de prazo, duas relacionadas com o estado de conservação dos veículos, além de casos por falta de seguro, condução sob influência de álcool, incumprimento relativo aos sistemas de retenção e estacionamento numa zona reservada.
Associação dos taxistas critica forma como operação foi realizada
A fiscalização não foi, contudo, bem recebida pela Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL). A associação afirmou não se opor às ações de fiscalização e garantiu que também combate a angariação ilegal de passageiros no aeroporto, mas criticou a forma e o local escolhidos para a operação.
Segundo a ANTRAL, a fiscalização terá condicionado temporariamente o funcionamento da praça de táxis e prejudicado a imagem transmitida aos passageiros que chegavam a Lisboa. A associação contestou sobretudo o facto de alguns veículos terem sido fiscalizados quando já transportavam passageiros, considerando que a operação acabou por afetar simultaneamente os utilizadores e o setor.
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