A vaga de calor que atingiu Portugal nos últimos dias provocou um aumento significativo da procura pelos serviços de emergência médica, levando o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a receber, em média, mais de 5.200 chamadas por dia. O instituto admite que as temperaturas elevadas estão a pressionar o sistema e alerta que os efeitos na saúde podem prolongar-se mesmo depois da descida dos termómetros.
De acordo com a agência de notícias Lusa, entre 1 e 7 de julho, os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) receberam 36.512 chamadas, o equivalente a uma média diária de 5.216 contactos. Os dados representam um aumento médio de 349 chamadas por dia em comparação com o mesmo período de 2025, refletindo uma maior procura por assistência médica durante os dias de calor intenso.
Um dia destacou-se dos restantes
O pico de atividade registou-se a 6 de julho, quando os quatro centros de orientação do INEM atenderam 5.834 chamadas, o valor diário mais elevado deste período. Embora o instituto não consiga determinar quantas chamadas estiveram diretamente relacionadas com a vaga de calor, reconhece que o aumento da procura coincide com os efeitos das temperaturas extremas na população.
Entre as situações mais comuns encontram-se episódios de desidratação, exaustão e golpes de calor, bem como o agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares em pessoas com patologias pré-existentes. O INEM explica que estes casos são enquadrados em diferentes protocolos de triagem clínica, razão pela qual não existe uma categoria específica que permita contabilizar exclusivamente as ocorrências provocadas pelo calor.
Efeitos podem prolongar-se
A instituição alerta que o impacto de uma onda de calor não termina quando as temperaturas começam a baixar. Conforme a mesma fonte, os efeitos podem prolongar-se durante cerca de 10 dias, sobretudo entre idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas.
Perante este cenário, o instituto mantém uma monitorização permanente da atividade operacional e recomenda à população que continue a cumprir as orientações das autoridades de saúde, privilegiando a hidratação, a permanência em locais frescos nas horas de maior calor e uma vigilância acrescida sobre os grupos mais vulneráveis.
Meios reforçados em várias regiões
Para responder ao aumento da procura, o INEM tem vindo a reforçar progressivamente a sua capacidade operacional desde o início de junho, com especial incidência nas regiões onde a população aumenta durante o verão.
Entre essas zonas está o Algarve, onde o afluxo de turistas e visitantes exige um maior esforço dos serviços de emergência durante os meses de maior atividade.
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