A depressão Therese atinge esta quinta-feira o seu pico em Portugal e poderá trazer um cenário de chuva persistente e localizada, aumentando o risco de inundações em várias regiões, sobretudo no Centro e Sul do país. O fator que mais preocupa os meteorologistas não é apenas a quantidade de precipitação, mas sim a forma como esta poderá cair.
Depois de vários dias de instabilidade crescente, o território continental entra agora na fase mais intensa deste episódio meteorológico. A chegada de uma frente mais organizada e com deslocação lenta deverá marcar o dia, criando condições favoráveis à acumulação de chuva. De acordo com o site Luso Meteo, esta frente poderá comportar-se de forma quase estacionária, o que aumenta significativamente o risco de precipitação persistente nas mesmas áreas.
Uma frente lenta que pode fazer a diferença
O principal risco associado à depressão Therese está relacionado com a velocidade de deslocação da frente. Segundo a mesma fonte, sistemas de movimento lento tendem a concentrar precipitação durante mais tempo nas mesmas regiões, o que pode originar episódios de inundações mais complexos. Este cenário torna-se particularmente relevante em zonas já conhecidas pela sua vulnerabilidade.
Entre as regiões mais expostas surgem o Algarve e a Área Metropolitana de Lisboa. De acordo com o Luso Meteo, é nestas zonas que os modelos meteorológicos apontam para maiores acumulados de precipitação, coincidindo com áreas historicamente mais suscetíveis a inundações urbanas. A conjugação entre intensidade e persistência da chuva poderá agravar o impacto local.
Valores podem ultrapassar previsões iniciais
As previsões indicam acumulados entre 40 e 50 milímetros em várias regiões do continente. No entanto, segundo explica o site, a presença de trovoadas e convecção poderá fazer com que, localmente, esses valores sejam significativamente superiores. Este tipo de fenómeno pode originar episódios de chuva intensa em curtos períodos de tempo.
O risco dos chamados “comboios de células”
Outro dos fatores que aumenta a incerteza da previsão é a possibilidade de formação de sistemas convectivos repetitivos. De acordo com a mesma fonte, podem formar-se “comboios de células”, ou seja, núcleos de precipitação que passam sucessivamente pelas mesmas áreas, descarregando grandes quantidades de água. Este tipo de configuração é frequentemente associado a episódios de cheias rápidas.
Ao contrário do que acontece no Centro e Sul, a região Norte deverá escapar aos efeitos mais intensos da depressão. Segundo o Luso Meteo, a precipitação será menos significativa nesta parte do território, com períodos de abertas e menor persistência da chuva. Ainda assim, o céu deverá manter-se geralmente nublado.
Açores com vento como principal risco
Nos Açores, o cenário mais preocupante não será a chuva, mas sim o vento. De acordo com a mesma fonte, o pico deverá ocorrer durante a madrugada de quinta-feira, com rajadas que podem atingir entre 110 e 120 km/h nas ilhas dos grupos Central e Oriental. Apesar de uma ligeira redução nas previsões mais recentes, o vento continuará a ser o principal fator de risco.
Na Madeira, o destaque vai para a combinação de chuva, vento e agitação marítima. Segundo explica o site, são esperados períodos de precipitação por vezes forte, especialmente durante a manhã e ao final do dia, acompanhados de rajadas intensas. O estado do mar deverá também agravar-se, com ondas significativas.
Um cenário exigente que pede acompanhamento
A evolução da depressão Therese deverá continuar a ser acompanhada ao longo das próximas horas, dado o grau de incerteza associado a este tipo de sistemas.De acordo com o Luso Meteo, pequenas variações na trajetória ou intensidade podem provocar alterações relevantes na distribuição da chuva. Com solos ainda saturados em várias regiões, mesmo valores moderados de precipitação podem ser suficientes para originar problemas localizados, sobretudo em zonas urbanas mais vulneráveis.
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