A passagem de ano em Portugal continental deverá ser marcada por um frio pouco habitual, associado a um fenómeno meteorológico raro no país e que não corresponde nem a neve nem a geada. Em causa está o sincelo, um tipo específico de gelo que poderá formar-se durante a noite de 31 de dezembro e a madrugada de 1 de janeiro, sobretudo em zonas do interior.
De acordo com a análise publicada pelo Luso Meteo, site especializado em meteorologia, o território continental encontra-se sob a influência de um regime anticiclónico, com tempo estável, vento fraco e forte arrefecimento noturno, condições que favorecem a formação de nevoeiro gelado e, consequentemente, deste fenómeno pouco comum.
O que é o sincelo e porque pode surgir nesta noite
O sincelo forma-se quando gotículas de água presentes no nevoeiro congelam ao entrarem em contacto com superfícies cuja temperatura está abaixo de zero.
Ao contrário da geada, que resulta da condensação do vapor de água do ar, o sincelo depende diretamente da existência de nevoeiro e de temperaturas negativas persistentes.
Segundo o Luso Meteo, este tipo de gelo não é considerado precipitação e distingue-se claramente da neve, surgindo sobretudo em situações de estabilidade atmosférica prolongada, como a que está prevista para o final de dezembro.
Estabilidade atmosférica cria condições ideais
A previsão aponta para noites muito frias, com céu pouco nublado, vento praticamente inexistente e humidade elevada nas camadas mais baixas da atmosfera. Esta combinação favorece a inversão térmica, fenómeno em que o ar frio fica retido junto ao solo, especialmente em vales e zonas abrigadas.
De acordo com a publicação, estas condições serão particularmente evidentes entre a noite de segunda-feira e a madrugada de quarta-feira, coincidindo com a passagem de ano, período em que o frio poderá intensificar-se mesmo sem precipitação.
Interior Norte e Centro mais expostos ao fenómeno
As regiões mais suscetíveis à formação de sincelo serão o Interior Norte e Centro, com especial incidência em Trás-os-Montes, Beira Interior e zonas de vale onde o nevoeiro tende a persistir durante mais tempo.
Segundo a mesma fonte, em alguns destes locais as temperaturas mínimas poderão descer para valores próximos ou inferiores a zero durante várias horas consecutivas, permitindo que o nevoeiro gelado se mantenha mesmo após o nascer do sol.
Nevoeiro gelado pode prolongar o frio durante o dia
Outro aspeto destacado pelo Luso Meteo é a possibilidade de o nevoeiro não se dissipar rapidamente em algumas regiões do interior. Quando isso acontece, as temperaturas máximas podem manter-se muito baixas ao longo do dia, prolongando a sensação de frio intenso mesmo depois da noite de réveillon.
Este cenário é mais comum no Nordeste Transmontano, onde, em situações semelhantes, já se verificaram dias consecutivos sem temperaturas positivas.
Litoral e Algarve escapam ao sincelo, mas não ao frio
Nas regiões litorais e no Algarve, a formação de sincelo é menos provável, uma vez que as temperaturas raramente descem abaixo dos valores necessários para o fenómeno ocorrer. Ainda assim, o tempo deverá ser frio, com humidade elevada e vento fraco, o que pode intensificar a sensação térmica durante a noite.
De acordo com o site meteorológico, a passagem de ano deverá ser seca em grande parte do país, mas marcada por desconforto térmico generalizado.
Fenómeno raro, mas não inédito em Portugal
Embora pouco frequente, o sincelo não é totalmente desconhecido em Portugal. O Luso Meteo recorda que este fenómeno ocorre quase todos os anos em pontos específicos do interior, sempre associado a episódios de frio seco, estabilidade atmosférica e nevoeiros persistentes.
Para já, o cenário previsto aponta para um fim de ano tranquilo do ponto de vista da precipitação, mas com frio invulgar e potencialmente marcante em várias regiões do país.
















