Depois de um final de dezembro com estado do tempo marcado por temperaturas baixas, períodos de chuva e queda de neve em algumas regiões, janeiro aproxima-se com um cenário meteorológico que continua a levantar dúvidas. As mais recentes atualizações do modelo europeu permitem antecipar tendências para o frio, a chuva e a neve, ainda que com a incerteza normal das previsões de médio e longo prazo.
Dezembro termina com um ambiente frio para a época em grande parte de Portugal continental, resultado de um bloqueio anticiclónico persistente em latitudes mais altas. Este padrão tem favorecido a entrada de massas de ar frio, intercaladas com a passagem ocasional de depressões de trajetória irregular.
Apesar destes episódios pontuais de instabilidade, o domínio anticiclónico tem sido a nota dominante, limitando a precipitação e mantendo temperaturas baixas, sobretudo durante a noite e madrugada, de acordo com o portal especializado em meteorologia Meteored.
Janeiro e o comportamento típico do inverno em Portugal
Do ponto de vista do tempo, janeiro é o mês mais frio do ano em Portugal continental, com uma temperatura média nacional a rondar os 8,8 ºC. No entanto, esta média esconde diferenças regionais muito marcadas, entre o interior Norte e Centro e as zonas costeiras ou o Algarve.
Nas regiões montanhosas e do interior, o frio é frequentemente intenso, enquanto em áreas junto ao litoral ocidental e no sul do país surgem, por vezes, dias mais amenos, mesmo em pleno inverno.
Nos arquipélagos, o comportamento térmico é distinto. Nos Açores e na Madeira, fevereiro é ligeiramente mais frio do que janeiro, devido à forte influência marítima. Em janeiro, a temperatura média ronda os 15,1 ºC nos Açores e os 17,1 ºC na Madeira, valores consideravelmente mais elevados do que no Continente.
Ainda assim, também nestas regiões podem ocorrer períodos de instabilidade, sobretudo associados à passagem de frentes atlânticas.
Frio, geadas e possibilidade de neve marcam o tempo em janeiro
Em janeiro, as temperaturas médias são geralmente inferiores às de dezembro, diferença que se nota sobretudo no Algarve. As geadas noturnas são comuns em vastas zonas do interior e nas áreas de maior altitude.
Embora a queda de neve no Continente seja pouco frequente, a combinação de ar frio com precipitação pode originar nevões pontuais, sobretudo nas serras do Norte e Centro. Episódios mais marcantes, como os de 2006 ou 2021, continuam a ser exceções, mas fazem parte do histórico climatológico do país, de acordo com a mesma fonte.
Um dos meses mais chuvosos, mas com grandes contrastes regionais
Janeiro é, habitualmente, um dos meses mais húmidos do ano em Portugal, embora a distribuição da chuva seja muito desigual. No Alto Minho, a precipitação média mensal ultrapassa os 220 mm, enquanto no Baixo Minho e na Região de Viseu oscila entre os 130 e os 180 mm.
Em contrapartida, grande parte do Alentejo e do Algarve regista, em média, menos de 70 mm de precipitação durante o primeiro mês do ano.
O que indicam as tendências das temperaturas para janeiro
De acordo com as mais recentes atualizações do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, a primeira quinzena de janeiro poderá ser marcada por temperaturas entre 1 e 3 ºC abaixo da média climatológica em quase todo o território continental.
Na Madeira, esta anomalia negativa deverá ser mais moderada, enquanto nos Açores se antevê um cenário com temperaturas dentro ou ligeiramente acima do normal para a época.
Há sinais de uma vaga de frio?
Para já, não existem indícios claros de uma vaga de frio prolongada. As projeções para a segunda quinzena de janeiro apontam para uma possível normalização gradual das temperaturas em grande parte do país, embora estas tendências ainda apresentem baixa fiabilidade.
Este grau de incerteza é comum quando se analisam previsões com um horizonte temporal mais alargado.
Tendências para a chuva: tempo seco à vista?
No que diz respeito à precipitação, o cenário é ainda mais incerto. As tendências atuais sugerem a formação de um bloqueio atmosférico a oeste das Ilhas Britânicas durante a primeira quinzena de janeiro, de acordo com a fonte anteriormente citada.
Caso este padrão se confirme, a primeira metade do mês poderá ser dominada por anomalias negativas de precipitação no Continente e nos Açores, resultando num tempo maioritariamente seco, com bons períodos de sol, nevoeiros e geadas frequentes.
Madeira pode seguir caminho oposto
A exceção poderá ser o arquipélago da Madeira, onde os mapas do modelo europeu apontam para anomalias positivas de precipitação na primeira quinzena de janeiro. Este cenário sugere um tempo mais instável e húmido, especialmente nos primeiros dias do ano.
Quanto à segunda metade de janeiro, não há ainda um padrão dominante claramente definido, mantendo-se elevada a incerteza quanto à evolução do tempo, tanto ao nível da chuva como da eventual queda de neve, de acordo com o Meteored.
















