Depois do calor intenso previsto para os próximos dias, o tempo prepara-se para dar uma volta em Portugal. Sábado, 5 de setembro, poderá ficar marcado por trovoadas em várias regiões do continente, acompanhadas localmente por aguaceiros fortes, granizo e rajadas de vento.
A previsão é da Meteored Portugal, com base nas projeções dos modelos meteorológicos, que mostram um aumento significativo da instabilidade ao longo do dia.
Antes disso, as altas pressões deverão continuar a funcionar como uma espécie de “escudo”, impedindo que as principais depressões e frentes atlânticas cheguem diretamente a Portugal continental.
Calor ainda aperta antes da mudança
Portugal estará sob a influência de uma massa de ar bastante quente. Quinta-feira poderá mesmo ser um dos dias mais quentes deste período, com alguns locais do Alentejo a registarem temperaturas máximas superiores aos 40 ºC.
Na sexta-feira começam, contudo, a surgir os primeiros sinais de mudança. A nebulosidade deverá aumentar e existe a possibilidade de ocorrência pontual de precipitação fraca.
Será apenas uma antecipação do cenário que os modelos projetam para o dia seguinte.
Sábado traz trovoadas de norte a sul
Segundo a análise publicada pela Meteored Portugal, sábado deverá trazer um aumento significativo da atividade convectiva.
As primeiras células poderão desenvolver-se durante a manhã, inclusivamente em áreas do litoral. Lisboa e Leiria estão entre as regiões onde poderá surgir instabilidade logo durante esta fase do dia.
Com o avançar das horas, o cenário deverá tornar-se mais generalizado, com a instabilidade a alcançar o interior e outras regiões de Portugal continental.
Durante a tarde, o modelo utilizado pela Meteored projeta descargas elétricas em vários pontos do país, sendo esperada maior atividade em determinadas áreas das regiões Norte e Centro.
Há zonas onde podem cair mais de 12 raios por km²
Um dos dados que mais chama a atenção nas projeções está precisamente relacionado com a atividade elétrica.
De acordo com a Meteored, a densidade de raios poderá ultrapassar localmente os 12 raios por quilómetro quadrado, sobretudo num cenário de células convectivas mais desenvolvidas.
As trovoadas não são, porém, o único fenómeno a ter em conta. A conjugação entre temperaturas elevadas à superfície e ar mais frio em altitude poderá favorecer o rápido desenvolvimento das nuvens.
Por esse motivo, algumas das células poderão ser acompanhadas por aguaceiros localmente intensos, queda de granizo e rajadas fortes de vento.
Tratando-se de uma previsão a vários dias, a localização e intensidade exatas destes fenómenos ainda poderão sofrer alterações à medida que sábado se aproxima.
O que acontece depois das trovoadas?
A instabilidade poderá ter uma duração relativamente curta. As projeções do ECMWF apontam para que o padrão NAO+ volte a ganhar força aproximadamente entre 7 e 10 de setembro.
Este regime tende a favorecer o desvio das principais depressões e frentes atlânticas para latitudes mais elevadas, deixando Portugal com maior influência anticiclónica e, consequentemente, condições mais secas e estáveis.
Os mapas sub-sazonais do ECMWF para a semana de 7 a 14 de setembro reforçam esta possibilidade.
Praticamente todo o território continental surge com uma anomalia positiva da temperatura, o que significa que, no conjunto dessa semana, as temperaturas deverão ficar acima dos valores considerados normais para esta altura do ano.
O sinal de calor deverá ser mais evidente no Sul e em partes do interior Norte e Centro, enquanto junto ao litoral a influência marítima poderá limitar a subida das temperaturas.
Setembro deverá continuar mais quente e seco
Também no que diz respeito à chuva existe um sinal relativamente claro. Segundo a Meteored, os mapas do ECMWF apontam para anomalias negativas de precipitação em Portugal.
Isto significa que, apesar do episódio de trovoadas previsto para sábado, a tendência para os dias seguintes é de precipitação abaixo do normal.
Assim, depois de um sábado potencialmente bastante instável, a primeira metade de setembro deverá continuar globalmente mais quente e seca do que seria habitual, caso se confirme o cenário atualmente projetado pelos modelos.
















