Depois de vários dias marcados por calor intenso e persistente, o estado do tempo em Portugal continental deverá começar a mudar de forma gradual. Segundo a Meteored, numa análise assinada pela meteorologista Marta Godinho, a aproximação de uma depressão isolada em altitude, vulgarmente conhecida como gota fria, vai trazer temperaturas mais amenas, algum aumento do vento e maior probabilidade de trovoada em parte do território.
A alteração deverá fazer-se sentir entre quarta-feira, dia 8, e domingo, dia 12. O calor começa a perder força, sobretudo no litoral, onde a influência atlântica se tornará mais evidente. No interior, porém, as temperaturas deverão continuar mais elevadas durante algum tempo, embora também aí se espere uma descida progressiva nos próximos dias.
Calor começa a perder força na quinta-feira
De acordo com a Meteored, os mapas de geopotencial e temperatura a 850 hPa mostram a depressão isolada em altitude já próxima da costa portuguesa. Esta massa de ar mais frio surge em contraste com o ar muito quente que ainda domina a Península Ibérica, criando condições para uma mudança no padrão meteorológico.
A descida mais acentuada das temperaturas deverá ocorrer na quinta-feira, dia 9. O litoral ficará mais sujeito à influência atlântica, o que deverá tornar o ambiente bastante mais fresco em comparação com os últimos dias. Já no interior, o calor será mais resistente, mantendo-se uma diferença clara entre as regiões do oeste e as zonas mais afastadas do mar.
O vento também deverá aumentar de forma generalizada, embora, para já, apenas para valores moderados. Ainda assim, esta alteração poderá ser suficiente para reforçar a sensação de “ventania” em várias zonas do país.
Trovoadas podem chegar ao Norte e Centro
A interação entre o ar frio em altitude e a massa de ar quente que ainda se mantém junto à superfície poderá favorecer a formação de instabilidade atmosférica. Segundo Marta Godinho, as primeiras trovoadas poderão surgir de forma pontual já na quinta-feira, mas o maior potencial deverá concentrar-se entre sexta-feira, dia 10, e sábado, dia 11.
Os modelos apontam para maior risco nas regiões Norte e Centro, sobretudo no interior transmontano e beirão. Nestes locais, as trovoadas poderão ser acompanhadas por aguaceiros localmente intensos e até por granizo. O Sul do país deverá ficar praticamente à margem deste episódio de instabilidade, mantendo um cenário mais seco.
Semana seguinte pode trazer chuva
Ao longo dos próximos dias, a gota fria deverá integrar-se numa depressão mais extensa com origem no Atlântico Norte. Esse movimento poderá abrir caminho a uma circulação mais fresca sobre Portugal continental e prolongar a descida das temperaturas, incluindo nas regiões do interior, onde o alívio térmico deverá tornar-se mais evidente.
Apesar de ainda existir alguma incerteza, o modelo europeu começa a sugerir que, durante a semana de 13 a 19 de julho, esta configuração possa favorecer períodos de chuva, sobretudo no Norte e Centro. Lisboa e Setúbal também poderão registar alguns aguaceiros, embora de forma menos significativa.
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