O domingo amanhece com Portugal continental sob a influência direta de uma massa de ar polar, responsável por um agravamento significativo do estado do tempo. Chuva persistente, temperaturas muito abaixo da média e um ambiente tipicamente invernal marcam o arranque do dia, num cenário que contrasta com a situação registada nos Açores e na Madeira, onde o impacto do frio e da precipitação será bastante mais limitado.
De acordo com o site especializado em meteorologia, Meteored, esta diferença explica-se pela influência do Atlântico e pela configuração da circulação atmosférica, que mantém as massas de ar mais frias confinadas ao continente, poupando os dois arquipélagos.
Continente sob chuva persistente e temperaturas anormalmente baixas
No continente, a entrada de ar polar traduziu-se numa descida acentuada das temperaturas, com anomalias negativas que, em algumas zonas, atingem valores entre seis e oito graus abaixo da média climatológica para esta altura do ano. A precipitação mantém-se frequente e, em vários períodos, contínua, contribuindo para um ambiente frio e húmido ao longo do dia de domingo.
Este padrão resulta da circulação de norte e da presença de sistemas frontais ativos, que continuam a atravessar o território continental, prolongando um episódio de instabilidade que se tem feito sentir nos últimos dias.
Madeira com chuva fraca, mas persistente
Na Madeira, o cenário é menos severo. O arquipélago regista instabilidade fraca a moderada, com períodos de chuva contínua, mas geralmente de fraca intensidade, associados a uma circulação marítima húmida. Segundo a mesma fonte, esta precipitação deverá prolongar-se até ao início da tarde, sendo mais frequente nas vertentes norte e em zonas montanhosas.
Apesar da intensidade reduzida, os acumulados tornam-se relevantes devido à persistência do episódio, com valores superiores a 25 milímetros em localidades como São Vicente, Seixal e Boaventura, num intervalo de pouco mais de 24 horas.
Anticiclone mantém Açores protegidos do frio polar
Nos Açores, a situação é distinta. Um centro de altas pressões bem definido no Atlântico Norte atua como um bloqueio eficaz, desviando a atividade frontal para latitudes mais elevadas e garantindo um tempo globalmente estável no arquipélago. A nebulosidade é variável, o vento sopra moderado e a precipitação é residual ou inexistente.
Segundo o site meteorológico, o anticiclone apresenta valores próximos dos 1033 hPa e estende-se em crista até à região açoriana, impedindo a progressão direta do ar frio continental.
Contraste térmico acentuado entre o continente e as ilhas
O contraste térmico é um dos aspetos mais marcantes deste episódio. Enquanto no continente o frio polar impõe máximas muito baixas e mínimas negativas em várias zonas, nas regiões poupadas as temperaturas mantêm-se próximas dos valores normais para a época. Este equilíbrio resulta da influência marítima e da ação estabilizadora do anticiclone, que atenua as variações extremas.
Para os próximos dias, o cenário deverá manter-se relativamente inalterado. As previsões apontam para a continuação de tempo estável nas regiões poupadas, com temperaturas amenas, enquanto o continente permanece sob um regime invernal mais rigoroso.
Segundo o Meteored, não são esperadas mudanças significativas a curto prazo, o que reforça a ideia de um país dividido entre o impacto direto do frio polar e a proteção proporcionada pelo Atlântico em duas regiões específicas.
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