A evolução da circulação atmosférica no Atlântico poderá trazer mudanças no estado do tempo em Portugal, com a possível aproximação de uma depressão atlântica que, segundo o modelo europeu ECMWF, poderá aumentar a probabilidade de chuva em várias regiões do país dentro de cerca de sete dias.
Uma depressão atlântica poderá reorganizar o padrão meteorológico sobre a Península Ibérica e favorecer o regresso da precipitação. O cenário resulta das mais recentes projeções do modelo europeu ECMWF para o Atlântico Nordeste.
As simulações de médio prazo indicam o desenvolvimento de uma depressão a oeste das Ilhas Britânicas, sistema capaz de alterar o fluxo atmosférico dominante sobre a Europa ocidental, de acordo com o portal especializado em meteorologia Meteored.
Uma depressão atlântica poderá reorganizar a circulação
À medida que esta depressão se aprofunda no Atlântico Norte, a circulação atmosférica sobre a Península Ibérica poderá rodar gradualmente para oeste ou sudoeste. Este tipo de circulação transporta ar marítimo mais húmido proveniente do Atlântico, criando condições favoráveis ao aumento da nebulosidade e à aproximação de sistemas frontais que se deslocam do oceano em direção ao continente europeu.
De acordo com os cenários atuais, as primeiras frentes poderão alcançar a fachada ocidental da Península durante a segunda metade da próxima semana.
Quando estas situações ocorrem, a precipitação tende a atingir primeiro o litoral e a estender-se gradualmente para o interior ao longo do dia, surgindo sob a forma de períodos de chuva ou aguaceiros intermitentes, de acordo com a mesma fonte.
Norte e Centro poderão registar os maiores acumulados
Nas regiões mais expostas ao fluxo atlântico, sobretudo no Norte e no Centro de Portugal continental, os acumulados de chuva poderão atingir cerca de 10 a 20 milímetros em 24 horas.
Em áreas montanhosas voltadas ao Atlântico, os valores poderão ser localmente superiores, uma vez que o relevo tende a intensificar a precipitação quando massas de ar húmidas provenientes do oceano encontram essas zonas.
No litoral, a chuva poderá ocorrer sob a forma de períodos de precipitação moderada intercalados com aguaceiros, sobretudo nas áreas mais expostas ao fluxo húmido do Atlântico. Mais a sul, o impacto destas perturbações tende a ser mais irregular. No Alentejo e no Algarve, a precipitação poderá surgir de forma mais dispersa e com acumulados geralmente inferiores, dependendo da trajetória final das frentes e da posição das depressões atlânticas.
Vento moderado e possível descida das temperaturas
Além da chuva, esta alteração na circulação atmosférica poderá trazer vento moderado de oeste ou sudoeste. As rajadas, de acordo com a mesma fonte, poderão atingir valores entre 40 e 60 quilómetros por hora, sobretudo nas zonas costeiras e nas terras altas, onde o vento tende a intensificar-se quando as depressões atlânticas se aproximam da Europa ocidental e o gradiente de pressão aumenta.
A entrada de ar marítimo poderá também provocar uma ligeira descida das temperaturas máximas em várias regiões do país.
Por se tratar de uma previsão de médio prazo, o Meteored recomenda acompanhar as atualizações nos próximos dias. A posição das depressões atlânticas e das frentes associadas poderá ainda sofrer ajustes, o que significa que os detalhes da precipitação prevista para Portugal poderão mudar à medida que os modelos forem sendo atualizados.
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