O descarrilamento do Elevador da Glória, em Lisboa, na quarta-feira, provocou pelo menos 16 mortes e deixou dezenas de feridos. Entre os sobreviventes está Stefania Lepidi, investigadora italiana, que viajava com o filho quando tudo aconteceu. A mulher partilhou o seu testemunho e descreveu os momentos de pânico vividos dentro da cabine.
De acordo com a SIC Notícias, Stefania tinha acabado de entrar no funicular que partia da Praça dos Restauradores quando este parou de forma súbita. Segundos depois, voltou a arrancar bruscamente e embateu contra o sistema de travagem no final do carril. Foi nesse momento que a investigadora foi projetada.
O relato da sobrevivente mostra como a tragédia poderia ter feito ainda mais vítimas.
O impacto dentro da cabine
Em declarações à televisão pública italiana Rai 3, Stefania explicou que o funicular “estava bastante cheio, com várias pessoas de pé”. “Apesar de estar sentada, fui projetada do assento e caí sobre as pessoas que já estavam no chão. Ao cair, apoiei a mão direita e percebi que me tinha magoado no pulso”, contou.
Enquanto isso, a outra cabine, que descia, seguiu descontrolada após a rutura do cabo, descarrilando e embatendo contra um edifício. Foi neste impacto que ocorreram as vítimas mortais.
Fumo, medo e fuga em pânico
Segundo o Rai 3, Stefania recorda que, pouco depois, os passageiros viram fumo a sair da outra cabine. Temendo uma explosão ou incêndio, todos abandonaram o veículo em pânico. “Ficámos do lado de fora a ver a desgraça que tinha acontecido”, relatou.
A investigadora sofreu a fratura de um braço e regressa esta sexta-feira a Itália, acompanhada do filho.
Duas horas de angústia
O testemunho revelou também a espera prolongada por ajuda. “Via sangue por todo o lado, comecei a tremer, a vomitar, aquelas duas horas foram de angústia. Disseram-me que não me podiam ajudar de imediato, porque havia mortos”, explicou.
Foi assistida apenas mais tarde, depois de receber uma manta térmica e ser transportada para o hospital. Após exames, teve alta no dia seguinte.
“Talvez agora não estivesse aqui”
Stefania admite que a sua sobrevivência se deveu ao facto de não estar na cabine que descarrilou. “Talvez agora não estivesse aqui”, afirmou, acrescentando que, apesar do choque e da fratura, se considera com sorte.
De acordo com a SIC Notícias, as autoridades continuam a investigar as causas do acidente que deixou Lisboa em estado de choque.
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