O Governo pretende lançar até ao final do ano um passe intermodal nacional que permita utilizar os transportes públicos das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto com um único título. A medida foi confirmada pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que admitiu que o projeto enfrenta vários desafios técnicos, mas garantiu que os trabalhos continuam em curso. Segundo a agência de notícias Lusa, o objetivo é integrar as duas maiores redes de transporte do país num sistema comum.
O compromisso foi assumido durante uma audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, onde Miguel Pinto Luz reconheceu que o processo “não tem sido fácil”. Ainda assim, o governante afirmou esperar que o novo passe esteja disponível “até ao final do ano”.
A criação deste título pretende abranger as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, concentrando cerca de 80% da oferta nacional de transportes públicos. A iniciativa surge como um passo na simplificação da mobilidade entre os dois principais centros urbanos do país.
Obstáculos que ainda estão por resolver
Uma das principais dificuldades prende-se com o facto de os diferentes operadores utilizarem sistemas tecnológicos distintos. Cada rede possui os seus próprios programas informáticos, métodos de validação e regras de funcionamento, tornando mais complexa a criação de um título único.
Além da componente tecnológica, existe também a necessidade de definir a forma como serão distribuídas as receitas geradas pelo novo passe. Esse processo, conhecido como perequação, determinará quanto recebe cada operador pelas viagens efetuadas pelos passageiros.
Governo admite dificuldades, mas mantém objetivo
Durante a audição parlamentar, Miguel Pinto Luz explicou que a diversidade de operadores e de sistemas obriga a um trabalho de coordenação exigente. “Há softwares diferentes, regras diferentes, muitos operadores, os quais têm de ser ressarcidos por parte das receitas. Não tem sido fácil”, afirmou.
Apesar dessas dificuldades, o ministro assegurou que as negociações têm decorrido de forma positiva. Acrescenta a publicação que o diálogo com as autarquias e as comunidades intermunicipais tem permitido manter o projeto em desenvolvimento.
Autarquias e forças políticas alinhadas
Segundo Miguel Pinto Luz, existe consenso em torno da criação deste novo passe. O governante afirmou que “todas as forças políticas, todos os autarcas” estão alinhados relativamente ao objetivo de integrar as duas áreas metropolitanas.
O ministro reiterou ainda o compromisso assumido perante os deputados, afirmando que pretende “até ao final do ano ter um novo passe com as duas áreas metropolitanas interligadas”, acrescentando que o processo “está a andar a bom ritmo”.
Passo que sucede ao Passe Ferroviário Verde
O novo título surge depois da introdução do Passe Ferroviário Verde, lançado pelo Governo em outubro de 2024. Esse passe permite viajar durante 30 dias por 20 euros em vários serviços ferroviários, incluindo os comboios Intercidades, mediante reserva obrigatória, os Regionais e os Urbanos de Coimbra, Lisboa e Porto fora das respetivas áreas metropolitanas.
Conforme a mesma fonte, em abril deste ano o Governo anunciou que já tinha sido vendido um milhão de títulos do Passe Ferroviário Verde, um indicador da adesão registada desde a sua entrada em funcionamento.
O que falta até à implementação
Antes de o novo passe chegar aos utilizadores, será necessário concluir a integração dos diferentes sistemas tecnológicos e estabelecer um modelo de repartição de receitas aceite por todos os operadores envolvidos. Só depois desse processo poderá ser operacionalizado um título comum para Lisboa e Porto.
Se o calendário avançado pelo ministro for cumprido, o novo passe intermodal nacional poderá ficar disponível até ao final deste ano, permitindo aos passageiros utilizar as duas maiores redes metropolitanas de transportes com um único título de viagem.
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