O padre Afonso Sampaio Soares, conhecido nas redes sociais pelas publicações em que relaciona o futebol com a mensagem cristã, vai deixar a paróquia da Lourinhã para assumir novas funções em Peniche. A decisão motivou uma petição pública promovida por fiéis, que pedem ao Patriarca de Lisboa que reconsidere a transferência, embora a própria paróquia tenha apelado ao fim da iniciativa.
Lê-se no portal da rádio Renascença que o sacerdote, de 31 anos, passará a desempenhar funções como Vigário Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda de Peniche, de São Sebastião de Peniche e de São Pedro de Peniche. A mudança acontece menos de um ano depois da sua ordenação e após cerca de oito meses ao serviço da comunidade da Lourinhã.
Fenómeno que ultrapassou a igreja
Ao longo dos últimos meses, o padre Afonso ganhou notoriedade muito para além da atividade pastoral. As suas habilidades com a bola e a forma descontraída como comunica a fé valeram-lhe o apelido de “padre Ronaldo” e ajudaram a transformar as páginas da Paróquia da Lourinhã nas redes sociais.
A conta da paróquia reúne atualmente mais de 13.000 seguidores, resultado de uma estratégia de comunicação que aproximou muitos jovens e despertou o interesse de pessoas que habitualmente não acompanhavam conteúdos religiosos.
Fiéis pedem que a decisão seja revista
A saída do sacerdote levou ao aparecimento de uma petição pública intitulada “Pela permanência do padre Afonso na Paróquia da Lourinhã”. O documento pede, “com o maior respeito e espírito de comunhão com a Igreja”, que o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, reavalie a decisão.
Os promotores da iniciativa destacam o trabalho desenvolvido pelo sacerdote e consideram que o “dinamismo pastoral que imprimiu” trouxe “frutos visíveis” e um “grande benefício para a comunidade”, justificando o desejo de que permaneça na paróquia.
Própria paróquia pede para travar a petição
Apesar da mobilização de muitos fiéis, a resposta oficial seguiu outro caminho. Num comunicado divulgado pela Paróquia da Lourinhã, foi solicitado que deixassem de ser feitos comentários negativos e que não fosse dada continuidade à petição.
Segundo a mesma fonte, o pedido surgiu em articulação com a equipa de comunicação e com o próprio padre Afonso. A nota recorda uma mensagem transmitida pelo sacerdote: “É preciso aceitar os desígnios do Senhor à luz da nossa fé.”
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