O Tribunal da Horta condenou um padre a uma pena de um ano e oito meses de prisão, suspensa na sua execução, pelo crime de abuso sexual de crianças na forma tentada. O caso, avança o Correio da Manhã, remonta a julho de 2024 e envolveu uma adolescente de 15 anos na ilha do Faial, nos Açores. O Ministério Público já manifestou o seu desagrado face à moldura penal decidida pelo coletivo de juízes e anunciou que vai recorrer da decisão.
Os factos ocorreram num momento em que a menor se encontrava sob a responsabilidade do clérigo, tendo-o ido visitar àquela ilha açoriana. Segundo o acórdão judicial, o homem aproveitou um momento em que ambos se encontravam sozinhos para a abraçar e introduzir a mão por baixo da camisola da jovem, tentando tocar-lhe nos seios.
O tribunal deu ainda como provado que o arguido tentou beijar a vítima na boca por pelo menos quatro vezes, embora só tenha conseguido atingir a face, uma vez que a adolescente logrou desviar-se a tempo.
Premeditação e isolamento
Na leitura da sentença, os magistrados sublinharam o caráter premeditado da conduta do sacerdote. O tribunal considerou demonstrado que o arguido delineou um plano ao convidar a menor para a sua habitação, transportando-a, logo de seguida, para uma propriedade isolada onde acabou por consumar os atos descritos.
Apesar da gravidade dos factos e da posição de confiança que o sacerdote ocupava face à vítima, a moldura penal aplicada fixou-se abaixo dos dois anos de prisão, beneficiando de suspensão da execução da pena. Uma decisão que o Ministério Público contesta e que promete levar agora ao Tribunal da Relação.
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