Com os incêndios florestais a marcarem o verão em várias regiões do país, um dos meios que tem ganho destaque é o recurso a máquinas de rastos. Estas viaturas pesadas desempenham um papel fundamental no combate às chamas, mas a sua operação envolve perigos que não podem ser ignorados. Esta semana, um homem de 65 anos morreu após ser atingido por uma máquina deste tipo em Trás-os-Montes, lembrando a face mais dura da sua utilização.
Segundo a Infopédia, o termo “máquina de rastos” designa diferentes veículos equipados com lagartas, próprios para trabalhar em terrenos acidentados. Podem ser escavadoras, tratores ou bulldozers, mas são estes últimos que mais frequentemente surgem associados ao combate a fogos florestais.
O que são e como funcionam
Os bulldozers, também chamados tratores de esteira, são máquinas robustas equipadas com lâminas frontais e ganchos traseiros conhecidos como “rippers”. Estas ferramentas permitem rasgar o solo, mover grandes quantidades de terra e criar barreiras físicas que ajudam a travar o avanço das chamas.
Um exemplo é a Komatsu D65EX, utilizada pelo Exército português, com 220 cavalos de potência, motor turbocomprimido de seis cilindros e peso superior a 21 toneladas. Estes números dão uma ideia da capacidade de arrasto e de mobilização de terreno destas viaturas.
Para que servem no combate a fogos
De acordo com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, as máquinas de rastos são usadas para criar ou ampliar faixas de contenção, abrir acessos a outros meios de combate e consolidar o perímetro do incêndio durante o rescaldo. A sua utilização exige planeamento prévio e coordenação por profissionais que conheçam bem o terreno.
A topografia, as condições do fogo e a acessibilidade são critérios fundamentais para decidir onde e quando utilizar estes equipamentos. Por serem máquinas de grandes dimensões, não chegam a todos os locais e o transporte até ao teatro de operações é, muitas vezes, um desafio logístico adicional.
Riscos associados à sua utilização
O peso e a potência destas viaturas tornam-nas tão eficazes quanto perigosas. Notícias de acidentes envolvendo operadores e civis não são raras. No caso mais recente, confirmado ao Notícias ao Minuto pelo Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil das Terras de Trás-os-Montes, um homem acabou por morrer depois de ser colhido por uma destas máquinas.
Os riscos vão desde quedas ao entrar ou sair do posto de condução, até acidentes graves se o operador não respeitar os limites da máquina ou trabalhar em terrenos instáveis. O próprio posto de comando, situado em altura, aumenta a probabilidade de quedas.
Segundo especialistas em segurança, é essencial que o operador utilize sempre equipamentos de proteção individual e se certifique de que a máquina fica imobilizada antes de a abandonar. Quem se encontra no exterior deve manter uma distância de segurança adequada para evitar incidentes.
Entre a eficácia e a segurança
As máquinas de rastos são hoje vistas como ferramentas indispensáveis no combate aos fogos. A sua capacidade para abrir caminhos e criar barreiras pode ser decisiva para controlar incêndios de grande dimensão.
No entanto, a tragédia recente lembra que, tal como outros meios de combate, exigem formação, cautela e disciplina. Só assim podem continuar a cumprir o seu papel sem transformar a operação em mais um risco para quem está no terreno.
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