Nuno Markl juntou-se às várias figuras públicas que reagiram à morte de Luís Represas, que morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos. Numa publicação feita no Instagram, o radialista recordou o cantor com afeto, recuperando memórias de infância, encontros profissionais e episódios que, para si, mostravam também o lado humano do artista.
A morte de Luís Represas motivou uma onda de reações nas redes sociais, com muitos portugueses a evocarem canções, concertos e momentos associados à voz dos Trovante. Nuno Markl foi um dos rostos conhecidos que prestou homenagem ao músico, sublinhando a importância que Represas teve na música portuguesa e na sua própria memória pessoal.
Markl recorda os discos que ouvia em casa
“A minha primeira memória do Luís Represas é este disco, que os meus pais tinham na sua impecável coleção de vinil”, começou por escrever Nuno Markl, referindo-se ao álbum “Baile no Bosque”, dos Trovante, editado em 1988.
O radialista lembrou a capa do disco, onde via Represas como uma figura marcante, “farta em cabelo e em sinais”, numa imagem que, nas suas palavras, transformava os membros dos Trovante em personagens “dignas de uma qualquer banda desenhada”.
Com o passar dos anos, contou Markl, a voz de Luís Represas voltou a cruzar-se com a sua vida através de outros discos que também marcaram a sua casa, como “Trovante 84”. Nesse álbum estava incluído o tema “Xácara das Bruxas Dançando”, que o radialista recordou como tendo “um dos melhores videoclips animados de sempre”, assinado pelo animador Abi Feijó.
Um episódio com um aspirador na televisão
Nuno Markl recordou ainda a presença dos Trovante no cinema, na comédia de Artur Semedo “O Barão de Altamira”, momento em que percebeu que o grupo “era capaz de ter sentido de humor”. Essa impressão, contou, confirmou-se anos mais tarde, quando conheceu Luís Represas.
O radialista desafiou o cantor para participar numa emissão de “O Homem Que Mordeu o Cão TV”, na TVI, com uma versão nova de “Perdidamente”. A resposta de Luís Represas ficou-lhe na memória: “Só se eu cantar acompanhado por um aspirador”. Markl aceitou a proposta e descreveu o resultado como um dos momentos mais “hipnoticamente hilariantes” que se lembra de ver na televisão.
Ao longo dos anos, os dois acabaram por se cruzar várias vezes. Numa dessas ocasiões, Nuno Markl recorda uma noite de passagem de ano na Torre de Belém, em que estava a passar música debaixo de mau tempo, com rajadas de chuva, quando Luís Represas o tentou afastar do local.
“A voz fica, mas perde-se o gajo porreiro”
Markl descreveu esse momento como uma demonstração da natureza paternal do artista. Segundo contou, Luís Represas puxou-o para fora da zona onde estava, preocupado com o risco de eletrocussão, enquanto o radialista insistia que estava ali a trabalhar.
No final da publicação, Nuno Markl resumiu a homenagem numa frase que rapidamente se destacou nas redes sociais. “Era uma voz lendária da música portuguesa, e era também um gajo porreiro”, escreveu. “Sabemos nestas alturas que a voz fica, mas que se perde o gajo porreiro, o que é incalculavelmente triste.”
Luís Represas morreu no ano em que assinalava 50 anos de carreira, divididos entre os Trovante e o percurso a solo. O músico tinha concertos agendados para os coliseus de Lisboa e do Porto, previstos para abril de 2027.
Voz de temas como “Perdidamente”, “Da Próxima Vez” e “Feiticeira”, Luís Represas morreu vítima de doença prolongada, deixando uma marca profunda na música portuguesa.
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