A operação da Mercadona em Portugal continua a ganhar dimensão, com novas lojas, mais investimento e uma aposta reforçada em segmentos de maior procura. A cadeia coloca o mercado português no centro da sua estratégia e aponta o próximo ano como fase de consolidação, mantendo o foco na expansão territorial e na eficiência logística.
Durante o Congresso da Aecoc sobre Consumo em Massa, em Valência, Juan Roig afirmou: “Estamos muito orgulhosos da nossa expansão em Portugal e acredito que nós, espanhóis, não tratamos os portugueses como eles merecem”. O presidente sublinhou que o grupo quer aprofundar a relação com o cliente português e manter um plano de crescimento sustentado no país.
A empresa emprega atualmente 7.000 pessoas em território nacional e prevê investir 157 milhões de euros em 2025. A estratégia passa por reforçar a presença nas principais zonas urbanas, com a abertura de novas lojas e o aumento da capacidade de resposta logística.
A rede soma já 66 lojas desde a entrada em 2019, seis das quais inauguradas este ano. Até ao final de 2025, estão previstas mais quatro aberturas, alargando uma cobertura que atinge 12 dos 18 distritos e que deverá estender-se para sul, com chegada a Faro nos próximos anos.
Resultados em recuperação
Os números começam a refletir o peso da operação portuguesa nos resultados do grupo. Em 2024, a cadeia registou um lucro de sete milhões de euros em Portugal e a previsão da empresa aponta para duplicar esse valor em 2025. A Mercadona em Portugal assume-se, assim, como um dos vetores de crescimento do grupo.
O desenvolvimento da área de comida preparada é outro pilar do plano. A empresa identifica mudanças nos hábitos de consumo e acredita que a conveniência terá um papel central na decisão de compra, com impacto direto na estrutura das lojas e no sortido.
Logística reforçada
O novo bloco logístico de Almeirim, inaugurado em julho, é a infraestrutura emblemática desta fase. Com 440.000 metros quadrados e um investimento de 290 milhões de euros, é o maior centro da Mercadona fora de Espanha e foi desenhado para ganhar escala e garantir regularidade de abastecimento.
Esta plataforma complementa o centro da Póvoa de Varzim, que continua a servir o norte do país. Em conjunto, os dois polos logísticos pretendem suportar a expansão de lojas e melhorar os tempos de reposição, sobretudo em categorias frescas e de conveniência.
Pronto a comer com saldo positivo
A secção “Pronto a Comer” está presente em todas as lojas portuguesas e passou a ser rentável em 2024, após vários anos de investimento. A empresa espera que a procura por soluções rápidas e acessíveis mantenha a trajetória de crescimento, consolidando a oferta de refeições confecionadas para consumo imediato.
Juan Roig admite que a evolução tecnológica e a procura por conveniência podem alterar a forma como se cozinha em casa. Para o grupo, este movimento justifica a aposta continuada em comida pronta, sem descurar o fornecimento de matéria-prima para quem prefere cozinhar.
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